O governo do Paraná começou, nesta segunda-feira (10), a utilizar mão de obra carcerária na reconstrução das escolas, creches, Apae e demais estruturas de ensino destruídas pelo tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Estado. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado da Educação, via Fundepar, em parceria com a Secretaria da Segurança Pública.
Atualmente, 14 pessoas privadas de liberdade trabalham na cidade, acompanhadas por monitores da Polícia Penal. Elas são oriundas de Guarapuava — quatro da Cadeia Pública de Laranjeiras do Sul e dez da Penitenciária Estadual de Guarapuava — e integram o programa Mãos Amigas, que promove reinserção social por meio de serviços de manutenção, conservação e reparos em escolas da rede estadual.
O programa é voltado a presos do regime semiaberto, selecionados por bom comportamento e por já terem cumprido parte da pena. Além da qualificação profissional, os participantes têm direito à remição: a cada três dias trabalhados, um dia é abatido da pena. O Paraná é referência nacional no uso de mão de obra prisional para manutenção de unidades escolares. Apenas em 2025, 427 escolas foram atendidas, com mais de 2 mil serviços realizados.
“Vamos chegar a 30 detentos do Mãos Amigas para ajudar na limpeza dos entulhos. Queremos ser rápidos nisso para que crianças e adolescentes voltem para a escola o quanto antes”, afirmou o governador Ratinho Junior.
O secretário da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, destacou o impacto social da ação: “A reconstrução de nossas escolas ganha força com o trabalho de quem cumpre pena. É um gesto de solidariedade que ajuda estudantes e apenados.”
No momento, as equipes trabalham na remoção de entulhos e limpeza do Colégio Estadual Ludovica Safraider, o mais afetado pelo tornado. O ginásio foi totalmente destruído e deverá ser reconstruído.
Nesta terça-feira (11), outros 16 detentos da região de Cascavel devem se juntar ao trabalho. Eles serão divididos em quatro equipes, cada uma com um policial penal e quatro presos. Embora não integrem o Mãos Amigas, todos têm autorização para atividades externas.
O governo estadual também liberou recursos emergenciais por meio do Fundo Rotativo: R$ 50 mil para o Colégio Estadual Ireno Alves dos Santos e R$ 25 mil para o Colégio Estadual Ludovica Safraider. Esse mecanismo permite que as escolas executem reparos urgentes e comprem materiais de forma imediata.
Engenheiros do Fundepar e técnicos do Núcleo Regional de Educação iniciaram o levantamento técnico dos danos. A contratação emergencial das obras dependerá da conclusão da limpeza para avaliação completa das estruturas comprometidas.



