AGORA
AGORA NO PORTAL

Últimas matérias

Riedel elogia Paraguai e Argentina por classificar PCC e CV como terroristas

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), elogiou as decisões do Paraguai e da Argentina de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Segundo ele, a medida fortalece o combate ao crime organizado nas fronteiras e aumenta a pressão internacional sobre as facções.

As declarações foram feitas durante a assinatura da ordem de serviço para a construção do restaurante estudantil da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. Riedel também comentou o encontro de governadores realizado no Rio de Janeiro após a operação policial que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, defendendo uma atuação conjunta entre União e estados.

O governador destacou que a segurança pública não deve ser tratada como pauta eleitoral, mas como política de Estado. Ele defendeu a integração das forças de segurança e o fortalecimento da PEC da Segurança, que prevê um sistema unificado entre os entes federativos. Para Riedel, o debate sobre o tema tem sido contaminado por interesses políticos.

Riedel ressaltou ainda que o problema da violência não está restrito a grandes capitais e que Mato Grosso do Sul, por ser estado de fronteira, também enfrenta forte presença de facções criminosas. Segundo ele, o Presídio Federal de Campo Grande vem recebendo líderes dessas organizações, o que exige maior articulação entre os órgãos de segurança.

Em relação à PEC da Segurança, o governador afirmou que a proposta pode consolidar juridicamente práticas já adotadas na cooperação entre estados. Ele também lembrou que há outras oito leis infraconstitucionais tramitando no Congresso que tratam da atuação integrada das forças de segurança.

Riedel elogiou o cerco internacional promovido por países vizinhos e citou o trabalho do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), que realiza apreensões expressivas de drogas e armas ao longo dos mais de 1,6 mil quilômetros de fronteira sul-mato-grossense. Segundo ele, cerca de um terço da população carcerária do Estado é formada por presos de outros estados, reflexo da atuação nas fronteiras.

O governador também criticou o que chamou de “romantização” e “politização” do crime organizado, afirmando que o enfrentamento deve ser firme, mas acompanhado de políticas de educação, inclusão e geração de renda. Ele observou que as facções atuam de formas distintas em diferentes regiões: no Rio de Janeiro, controlando serviços e territórios; e em São Paulo, infiltradas em setores econômicos legais, como combustíveis e apostas.

Riedel citou como exemplos de integração bem-sucedida o Consórcio Brasil Verde e o SUMASP (Consórcio de Segurança Pública do Sul e Sudeste), que reúnem diversos estados para cooperação em políticas públicas.

Ao encerrar, defendeu que o combate à criminalidade seja construído de forma conjunta, sem discursos ideológicos: “Segurança pública precisa ser tratada como política de Estado. Se a gente continuar romantizando ou politizando esse tema, perde-se o foco do que realmente importa: integrar esforços e resultados.”