O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta quarta-feira (29) que a Operação Contenção — deflagrada contra o Comando Vermelho — foi um sucesso, e que as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos durante os confrontos.
“Temos muita tranquilidade de defender o que foi feito ontem. Queria me solidarizar com as famílias dos quatro guerreiros que deram a vida para libertar a população. Eles foram as verdadeiras quatro vítimas. De vítima ontem, só tivemos os policiais”, declarou Castro no Palácio Guanabara.
O governador também disse que todos os mortos nos confrontos eram criminosos.
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“O conflito não foi em área edificada. Foi todo na mata. Não creio que tivesse alguém passeando na mata num dia de conflito. Por isso a gente pode tranquilamente classificar de criminosos.”
A Operação Contenção, realizada na terça-feira (28), envolveu as polícias Civil e Militar do Rio e resultou em 119 mortes, segundo balanço oficial — entre elas, quatro policiais. A ação teve como objetivo conter a expansão da facção Comando Vermelho e cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 de prisão.
A ofensiva foi classificada como o maior confronto armado do ano no país, com trocas de tiros nas comunidades dos complexos do Alemão e da Penha e dezenas de corpos encontrados na área de mata.
As declarações de Castro contrastam com a reação em Brasília. O ministro do STF Gilmar Mendes chamou o episódio de “lamentável” e destacou os danos causados por operações policiais.
“Vivemos situações de graves ações policiais que causam danos às pessoas ou mesmo a morte de várias pessoas, que acabamos de ver neste lamentável episódio no Rio de Janeiro”, afirmou durante sessão da Corte.
O ministro Flávio Dino também criticou excessos nas ações policiais, dizendo que o Supremo “não impede o trabalho da polícia, mas também não legitima um vale-tudo com corpos estendidos”.
Já o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou “estarrecido” com o número de mortos.
“O presidente ficou estarrecido com o número de ocorrências fatais que se registaram no Rio de Janeiro”, afirmou.
Diante da repercussão, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o governador Cláudio Castro preste esclarecimentos sobre a operação e marcou uma audiência para 3 de novembro, no Rio de Janeiro, para discutir o caso.
A ação, que o governo estadual classifica como “um passo firme contra o crime organizado”, gerou uma onda de críticas de autoridades e entidades de direitos humanos, que pedem apuração sobre o alto número de mortes.



