Em um movimento que marca uma das maiores divisões internas no ativismo por direitos sexuais e de gênero, uma coalizão de grupos de lésbicas, gays e bissexuais (LGB) anunciou sua separação do movimento mais amplo que inclui as questões trans. A nova organização, denominada LGB International, declara sua independência e critica o que considera um desvio de propósito do ativismo, que, segundo eles, passou a priorizar a ideologia de gênero em detrimento das pautas relacionadas à orientação sexual.
A cisão foi oficializada no dia 20 de setembro, com o lançamento de um manifesto que repercutiu em diversas partes do mundo. A nova entidade é composta por representantes de 18 países, refletindo a insatisfação com a percepção de que a militância moderna diluiu as pautas históricas de gays, lésbicas e bissexuais. Os fundadores da LGB International argumentam que a crescente complexidade e politização da sigla LGBTQIA+ afastaram a atenção dos problemas reais enfrentados por indivíduos atraídos pelo mesmo sexo.
A inspiração para a nova organização vem da britânica LGB Alliance, conhecida por sua postura crítica em relação à ideologia de gênero. O novo grupo internacional ecoa as preocupações da entidade britânica, que desde 2019 contesta o enfoque dado às questões de identidade de gênero. Para a LGB International, a ênfase no tema trans tem ofuscado os desafios mais antigos, como a luta contra a discriminação e a criminalização da homossexualidade em várias partes do mundo, que permanecem sem solução.
O episódio da “declaração de independência” levanta questionamentos sobre os rumos do ativismo moderno e a validade de uma sigla cada vez mais ampla. Enquanto defensores do movimento LGB International apontam a necessidade de resgatar as pautas originais, críticos enxergam a iniciativa como um retrocesso e uma traição aos aliados trans. O debate, agora mais acirrado, coloca em xeque a unidade de um movimento que, historicamente, se construiu sobre a solidariedade e a inclusão.
As informações são do portal Quadro Geral.



