O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste domingo (27) que as novas tarifas comerciais planejadas por seu governo entrarão em vigor no dia 1º de agosto, sem possibilidade de prorrogação. O Brasil está entre os países diretamente afetados e terá todas as suas exportações ao mercado norte-americano sobretaxadas em 50%.
Durante coletiva concedida no Rose Garden da Casa Branca, em Washington, ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Trump foi enfático ao afirmar: “1º de agosto é para todos. Sem extensões, sem mais prazos”.
A medida faz parte da estratégia do governo norte-americano de pressionar parceiros comerciais e aumentar a arrecadação federal. O secretário Howard Lutnick, em entrevista à Fox News, reforçou que as tarifas começarão a ser recolhidas imediatamente. “As tarifas estão definidas para 1º de agosto. A alfândega começará a recolher o dinheiro, e é isso”, declarou.
Lutnick disse ainda que Trump permanece aberto a negociações mesmo após a entrada em vigor das medidas. “Ele está sempre disposto a ouvir, e entre agora e lá, acho que o presidente vai conversar com muita gente”, afirmou.
As tarifas foram formalmente comunicadas ao governo brasileiro por meio de uma carta enviada por Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 9 de julho. A imposição de 50% sobre todas as exportações brasileiras marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois países.
Segundo projeções do governo norte-americano, a nova política tarifária pode gerar uma receita entre US$ 700 bilhões e US$ 1 trilhão, valor que contribuiria para reduzir o déficit fiscal dos EUA.
Além do Brasil, a União Europeia também é alvo das medidas. Trump estabeleceu uma tarifa de 30% sobre os produtos europeus e aguarda contrapropostas do bloco. “A Europa precisa fazer um acordo e quer fazer um acordo”, afirmou Lutnick, indicando que as negociações seguem abertas, mas com prazos definidos.
O secretário também citou o Japão como exemplo bem-sucedido de negociação com os Estados Unidos. Segundo ele, o país asiático se comprometeu a investir US$ 550 bilhões na infraestrutura de segurança norte-americana.
Outro foco de tensão é a China. Lutnick antecipou que o secretário Bessent irá a Estocolmo para se reunir com representantes chineses, com o objetivo de pressionar o país a interromper compras de petróleo de nações sancionadas, como Irã e Rússia.
A política tarifária adotada por Trump tem provocado impacto direto também nas decisões de política monetária. Lutnick criticou o presidente do Federal Reserve, John Powell, por resistir à redução da taxa básica de juros, mesmo diante da expectativa de alta na arrecadação. “Isso é um benefício para a América que deveria fazer as taxas caírem, porque vamos tomar menos empréstimos”, argumentou.
A segurança digital também foi abordada, com destaque para o futuro do aplicativo TikTok. Apesar da popularidade entre os jovens, Trump considera que a plataforma representa um risco à segurança nacional. “Não se pode permitir que os chineses tenham um aplicativo em 100 milhões de telefones norte-americanos”, disse Lutnick.
Por fim, o secretário comentou a possibilidade de reembolso à população americana, caso as tarifas gerem receita acima do esperado. “O presidente está se sentindo fortalecido porque sua política tarifária está funcionando. E se ele acha que vale a pena conversar sobre isso com o povo norte-americano, ele vai falar.”
A medida é vista por analistas como uma escalada protecionista de Trump, que busca reforçar sua agenda econômica e política em ano eleitoral, mesmo ao custo de tensionar relações com parceiros estratégicos como Brasil, União Europeia e China.



