O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “inaceitável” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar os vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi anunciada na sexta-feira (18) pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e atinge o ministro Alexandre de Moraes, seus familiares e “aliados” dentro da Corte.
Em publicação na rede social X, neste sábado (19), Lula afirmou que a ação americana é “arbitrária e completamente sem fundamento”. “A interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do respeito e da soberania entre as nações”, escreveu o presidente.
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Lula também disse que “nenhum tipo de intimidação ou ameaça será capaz de comprometer a missão dos poderes brasileiros na defesa e preservação do Estado Democrático de Direito”.
Além de Moraes, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou em nota que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, também está entre os atingidos pela sanção. Até o momento, o governo dos Estados Unidos não divulgou oficialmente a lista completa dos nomes incluídos na medida.
Contexto da decisão
A medida do governo americano veio após uma operação da Polícia Federal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), autorizada por Alexandre de Moraes. A ofensiva incluiu buscas na residência de Bolsonaro e na sede do PL, além da imposição de medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica, proibição do uso de redes sociais e de contato com aliados investigados.
Segundo o ministro, a ação da PF teve como base articulações feitas pelo deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, em que teria solicitado sanções contra autoridades brasileiras.
Impeachment protocolado
Ainda neste sábado, foi protocolado na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment contra o presidente Lula. O requerimento foi apresentado por parlamentares da oposição e menciona a postura do presidente diante das sanções aplicadas pelos Estados Unidos. O documento aguarda análise da presidência da Câmara e ainda não tem prazo para tramitação.



