Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) escancarou farra com os benefícios de aposentados e pensionistas em todo o país. O relatório da Operação Sem Desconto, divulgado nesta quarta-feira (23), revela que 97,6% dos entrevistados nunca autorizaram os descontos em folha que vêm corroendo suas aposentadorias.
Em parceria com a Polícia Federal, a CGU entrevistou 1.273 beneficiários entre abril e julho deste ano. O levantamento, que percorreu todos os estados e o Distrito Federal, escancara um cenário alarmante: mais de 95% dos aposentados afirmam sequer participar de associações, o que torna ainda mais suspeitos os débitos registrados como “mensalidades associativas”.
Além do golpe silencioso, os beneficiários ainda enfrentam um labirinto burocrático para localizar a origem dos descontos e tentar cancelá-los. Muitos sequer sabiam que estavam sendo cobrados mensalmente por entidades que nunca autorizaram.
Os números levantam sérias suspeitas sobre a fragilidade nos controles do INSS. O valor dos descontos disparou nos últimos anos: de R$ 536,3 milhões em 2021 para R$ 1,3 bilhão em 2023 — com tendência de atingir R$ 2,6 bilhões até o fim de 2024, caso o ritmo de maio se mantenha.
A CGU emitiu uma série de recomendações ao INSS, incluindo o bloqueio cautelar de novas cobranças e a revisão dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com as entidades envolvidas. O órgão também exigiu mais transparência nos documentos que viabilizam tais descontos, que deverão estar disponíveis em plataforma pública.
Para a Controladoria, o caso é emblemático da urgência de proteger os idosos, frequentemente alvo de esquemas abusivos e práticas que beiram o estelionato institucional. A Ouvidoria-Geral da União reforçou o uso da plataforma Fala.BR para denúncias — inclusive anônimas — contra cobranças indevidas e outras irregularidades.
A recomendação da CGU é clara: quem suspeitar de descontos não autorizados deve solicitar o bloqueio preventivo do benefício e buscar o cancelamento imediato dos valores indevidos.



