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Equador terá 2º turno entre Daniel Noboa e Luisa González

A eleição presidencial no Equador será decidida em 2º turno entre o atual presidente Daniel Noboa (Ação Democrática Nacional, centro-direita) e Luisa González (Revolução Cidadã, esquerda). Com 91% das urnas apuradas, Noboa obteve 44,34% dos votos válidos, enquanto González ficou com 43,87%. O segundo turno está marcado para 13 de abril.

Dos 12,46 milhões de eleitores registrados, 2,2 milhões se abstiveram. Os votos nulos somaram 6,77%, e os brancos, 2,11%. Outros 14 candidatos participaram do pleito, mas não alcançaram votação suficiente para seguir na disputa.

Eleições Antecipadas e Mandato de Noboa

Esta é a segunda vez em 16 meses que os equatorianos vão às urnas. Em 2023, o então presidente Guillermo Lasso dissolveu a Assembleia Nacional utilizando a cláusula constitucional conhecida como “morte cruzada”, antecipando as eleições. Noboa venceu o pleito e assumiu um mandato tampão, tornando-se o presidente mais jovem da história do país, com 35 anos.

Durante seu governo, Noboa intensificou o combate ao crime organizado. Segundo a plataforma InSight Crime, mais de 60.000 suspeitos foram presos em 2024 e 280 toneladas de drogas foram apreendidas, um aumento de 29% em relação a 2023. Em julho de 2024, ele visitou Durán, a cidade mais violenta do país, usando colete à prova de balas e capacete militar.

Crise de Violência no Equador

O Equador enfrenta uma grave crise de segurança e instabilidade. Desde a saída de Rafael Correa da presidência (2007-2017), o país se tornou rota estratégica do narcotráfico para os EUA e Europa, intensificando os conflitos entre facções criminosas. O grupo Los Lobos, com cerca de 8.000 integrantes, é um dos mais atuantes.

Os homicídios cresceram 430% de 2019 a 2024, totalizando 3.036 casos. O país também registrou mais de 2.000 sequestros e 10.700 extorsões no período. Um terço da população afirma ter sido vítima de algum crime, segundo a Human Rights Watch.

Durante as eleições de 2023, ao menos cinco políticos foram assassinados, incluindo o candidato presidencial Fernando Villavicencio, baleado ao sair de um comício em agosto daquele ano.

O sistema prisional também enfrenta crise. Militares assumiram o controle das principais penitenciárias, e Noboa anunciou a construção de novos presídios, mas não conseguiu resolver problemas estruturais, como corrupção e atividades criminosas dentro das cadeias.

Com o país mergulhado em desafios econômicos e de segurança, o segundo turno definirá os rumos do Equador para os próximos anos.