Um levantamento recente apontou que 80% dos trabalhadores com deficiência ou neurodivergência acreditam que as empresas não estão preparadas para recebê-los de forma adequada. A pesquisa, intitulada “Radar da Inclusão: mapeando a empregabilidade de Pessoas com Deficiência”, foi realizada pela Pacto Global, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com Talento Incluir, Instituto Locomotiva e iO Diversidade. O estudo ouviu 1.230 pessoas entre 20 de outubro e 3 de novembro de 2024.
A pesquisa revelou que a falta de infraestrutura acessível e de políticas de inclusão continua sendo um entrave para esses profissionais. Um terço dos entrevistados (33%) afirmou que seus ambientes de trabalho não são devidamente adaptados. Além disso, 71% dos participantes disseram preferir o modelo remoto ou híbrido, taxa superior aos 58% que já possuem essa flexibilidade. Para muitos, trabalhar de casa é uma necessidade, devido à ausência de equipamentos e adaptações básicas nos escritórios.
Continue após a publicidade
Casos de discriminação também foram relatados. Um advogado cadeirante contou em redes sociais que foi dispensado de um processo seletivo após ser informado de que sua cadeira de rodas não passava pelo batente do banheiro do escritório. Segundo especialistas, essa realidade reflete a falta de compromisso das empresas com a acessibilidade e a inclusão, apesar das legislações vigentes no Brasil desde 1991 que determinam medidas para a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
A diretora Lia Calder, da consultoria 4CO, avalia que a maioria das empresas ainda enxerga a inclusão como um desafio burocrático, optando por ignorar a questão mesmo sob o risco de penalidades do Ministério Público do Trabalho (MPT). “O que se observa é que pessoas com deficiência são, na maioria das vezes, alocadas em cargos de base e permanecem por anos sem oportunidades de crescimento profissional”, afirma.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam essa desigualdade. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2023 revelou que apenas 26,6% das pessoas com deficiência estão empregadas, enquanto entre aqueles sem deficiência esse índice é de 60,7%. Além disso, 55% dos trabalhadores com deficiência atuam na informalidade e recebem, em média, 30% a menos do que seus colegas sem deficiência. Especialistas alertam que, para reverter esse cenário, é essencial que empresas adotem práticas de inclusão efetivas e promovam mudanças estruturais no ambiente corporativo.



