O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a criação da Alada, uma nova estatal voltada ao lançamento comercial de foguetes e satélites privados a partir do Brasil. A iniciativa, aprovada pelo Congresso em dezembro de 2024, visa explorar o potencial estratégico do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, atraindo parcerias privadas para o setor espacial.
Histórico de fracassos no setor
A criação da Alada reacende memórias da Alcântara Cyclone Space (ACS), estatal binacional entre Brasil e Ucrânia criada em 2006, também no governo Lula. A ACS prometia revolucionar o setor espacial brasileiro, mas foi extinta em 2015 após consumir quase meio bilhão de reais em investimentos sem realizar um único lançamento. A falta de aportes, crises econômicas e entraves diplomáticos enterraram o projeto, deixando um histórico de prejuízo e desconfiança.
Sem detalhes claros
O projeto da Alada enfrenta críticas por sua falta de transparência sobre custos e estrutura. A nova estatal será subsidiária da NAV Brasil, criada em 2019 para desenvolver sistemas de navegação aérea. Não há informações claras sobre o orçamento necessário, número de funcionários ou cronograma de operações. Segundo o governo, a empresa poderá contratar servidores por até quatro anos e utilizar recursos humanos civis e militares.
Durante debates no Congresso, o deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) alertou sobre os riscos: “O cheiro que eu sinto é de prejuízo”.
Potencial estratégico
Apesar das críticas, a base de Alcântara oferece vantagens estratégicas. Sua proximidade com a linha do Equador reduz o consumo de combustível nos lançamentos, o que a torna atrativa para operações comerciais e pesquisas científicas, como experimentos em microgravidade com aplicações na indústria farmacêutica.
Além disso, o Brasil é referência global em tecnologia de satélites para monitoramento ambiental, um diferencial competitivo em tempos de demandas crescentes por preservação de biomas e sustentabilidade.
Mercado em expansão
A exploração espacial global tem previsão de movimentar 1,8 trilhão de dólares até 2035, segundo o Fórum Econômico Mundial. Empresas privadas, como a SpaceX de Elon Musk e a Blue Origin de Jeff Bezos, dominam o setor, e a entrada do Brasil nesse mercado é vista como uma oportunidade por especialistas, incluindo o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Chamon.
Dilema fiscal
A criação de uma nova estatal ocorre em um momento em que o governo enfrenta pressão para cortar gastos públicos. Enquanto países como Estados Unidos e China destinam bilhões de dólares para seus programas espaciais, o orçamento da AEB para 2024 é de 135 milhões de reais, ampliado para 600 milhões com parcerias e fundos científicos.
Embora o programa espacial tenha potencial de contribuir para a soberania e inovação tecnológica do país, a criação da Alada levanta o temor de que o Brasil esteja literalmente mandando dinheiro público para o espaço, sem garantias de retorno efetivo.



