A decisão do CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, de boicotar carnes provenientes dos países do Mercosul desencadeou uma forte resposta no Brasil. Grandes frigoríficos, como a JBS e a Masterboi, anunciaram a suspensão do fornecimento de carnes ao grupo varejista em território nacional, ressaltando a insatisfação do setor agropecuário brasileiro com as declarações do executivo.
Frigoríficos reagem e interrompem fornecimento
Na última quinta-feira (21), a JBS, principal fornecedora de carne ao Carrefour no Brasil, interrompeu o envio de produtos, incluindo os da marca Friboi, que representa cerca de 80% das vendas de carne na rede. No dia seguinte, a Masterboi seguiu o mesmo caminho, suspendendo a entrega de 250 toneladas de carne.
Apesar disso, o Carrefour Brasil negou que suas lojas estejam desabastecidas e informou que a comercialização ocorre normalmente.
“É improcedente a alegação de que hoje há desabastecimento de carne nas lojas do Grupo Carrefour Brasil. A comercialização do produto ocorre normalmente nas lojas. Nenhuma loja está desabastecida”, afirmou a assessoria em nota.
Especialistas, no entanto, apontam que a interrupção do fornecimento pode gerar impactos em breve. A CEO da AGR Consultores, Ana Paula Tozzi, destacou que a reposição de carnes in natura ocorre diariamente, e a falta desses produtos pode se tornar evidente nos próximos dias.
Motivações do boicote
O CEO do Carrefour justificou a decisão como um ato de solidariedade ao agronegócio francês, que tem se oposto ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Agricultores na França argumentam que os produtores do Mercosul não seguem as mesmas regras ambientais, o que criaria uma competição desleal.
Embora o Carrefour Brasil tenha tentado se distanciar das declarações de Bompard, o grupo francês controla mais de 60% das operações no país, mantendo um vínculo direto entre as decisões globais e suas subsidiárias.
Repercussão no Brasil
A atitude do CEO gerou uma onda de críticas por parte de representantes do agronegócio brasileiro e autoridades. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, manifestaram apoio a um boicote ao Carrefour em resposta às declarações.
No sábado (23), 44 entidades da cadeia produtiva publicaram uma carta aberta repudiando a decisão. No documento, os representantes ressaltaram que o Brasil é referência mundial na produção sustentável de proteínas animais e que as ações do Carrefour são incoerentes com os princípios do livre mercado.
“Nos últimos 30 anos, a pecuária brasileira aumentou sua produtividade em 172%, enquanto reduziu a área de pastagem em 16%”, destacaram.
Além disto, o representantes reforçaram que a exclusão de produtos do Mercosul do mercado francês pode gerar inflação e aumentar as emissões de carbono devido ao transporte de mercadorias locais menos eficientes.
Próximos passos
O Carrefour Brasil afirmou que está em diálogo com os frigoríficos para buscar uma solução e retomar o fornecimento de carnes em breve. Entretanto, o episódio evidencia a crescente tensão nas relações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, que impacta diretamente o mercado varejista e o agronegócio brasileiro.



