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Nísia Trindade sabia de órgãos com HIV há 1 mês, mas não investigou

Nísia Trindade (foto: marcelo camargo)

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, revelou que sua equipe tinha conhecimento, há um mês, sobre os primeiros casos de contaminação por HIV em pacientes que receberam órgãos transplantados no Rio de Janeiro. Entretanto, segundo a ministra, o caso não foi investigado na época por falta de evidências que justificassem a abertura de uma apuração imediata. A revelação ocorreu após a denúncia formalizada na última sexta-feira (11), o que levou à abertura de investigações pela Polícia Federal (PF).

De acordo com Nísia, o Ministério da Saúde foi notificado sobre o primeiro caso de infecção no dia 14 de setembro. Na ocasião, a pasta enviou um comunicado à Central de Transplantes do RJ exigindo que medidas fossem tomadas. Contudo, as investigações só começaram após a confirmação de outros cinco casos de contaminação por HIV, quando o governo federal decidiu acionar as autoridades competentes.

“Apenas quando se caracteriza suspeição de possível ação criminosa é que a polícia deve ser acionada. E a partir do momento que novos casos foram verificados e que indícios começam a ser levantados, é que eu procurei a Polícia Federal, que é o papel que cabe a uma instância federal”, afirmou Nísia durante entrevista à Band.

Investigação e prisão dos responsáveis

A investigação levou à prisão de quatro funcionários do laboratório PCS Lab Saleme, responsável pela testagem dos órgãos para determinar se estavam aptos para doação. Entre os presos estão Ivanilson Fernandes dos Santos, responsável técnico do laboratório; Walter Vieira, ginecologista e sócio do PCS Lab Saleme; Jacqueline Iris Bacellar, funcionária do laboratório; e Cleber de Oliveira Santos, técnico envolvido no processo de controle de qualidade.

A suspeita da PF é que o laboratório tenha reduzido os procedimentos de controle de qualidade para economizar, permitindo que órgãos contaminados fossem aprovados para transplantes, resultando na infecção de pelo menos seis pacientes.

Medidas tomadas

Após a denúncia e as prisões, o Ministério da Saúde interditou o laboratório PCS Lab Saleme e transferiu a responsabilidade pela testagem dos órgãos para o Hemorio, que estava sobrecarregado anteriormente e havia terceirizado essa função ao laboratório investigado.

Em nota, o Ministério da Saúde garantiu que agiu de forma rápida para mitigar os danos e proteger os pacientes envolvidos, além de expressar apoio irrestrito às vítimas e suas famílias.

O caso ainda está sendo investigado pela Polícia Federal, que busca entender o alcance do problema e identificar se outras vítimas foram afetadas.