O presidente afastado da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul, Francisco Cezário, voltou a ser alvo de ação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quarta-feira (28). Agentes realizaram novas buscas em sua residência, mas o Gaeco ainda não confirmou se esta operação faz parte de uma nova fase da Operação Cartão Vermelho, que levou Cezário à prisão.
O advogado de Cezário, André Borges, confirmou que foram realizadas buscas e apreensões, mas não forneceu mais detalhes. Cezário está em liberdade desde 6 de junho, quando deixou a prisão para ser internado devido a problemas cardíacos. Sua liberdade foi condicionada ao uso de tornozeleira eletrônica, à proibição de contato com outros acusados e testemunhas, à necessidade de notificação ao juiz para ausências superiores a oito dias da comarca, e à proibição de frequentar a sede da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul.
A defesa de Cezário argumentou que a prisão cautelar não era necessária, uma vez que ele não é acusado de crimes que envolvem violência ou grave ameaça. Além disso, ele foi afastado da presidência da Federação, o que, segundo a defesa, elimina a possibilidade de ele exercer poderes administrativos ou financeiros.
A desembargadora que analisou o caso considerou o fato de Cezário ser réu primário, possuir endereço fixo e estar em condições de saúde frágeis, com diabetes tipo 2, obesidade e hipertensão arterial. Ela reconheceu que Cezário é acusado de crimes graves, como organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato, falsidade ideológica e furto qualificado, com desvios que supostamente ultrapassam R$ 3 milhões. No entanto, a necessidade de sua prisão cautelar foi descartada até que o processo avance.
Entenda o Caso:
A Operação Cartão Vermelho, desencadeada pelo Gaeco em maio, cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas. A investigação apontou que, entre setembro de 2018 e fevereiro de 2023, mais de R$ 6 milhões foram desviados da Federação. Durante a operação, foram apreendidos mais de R$ 800 mil em dinheiro.
A investigação revelou a existência de uma organização criminosa dentro da Federação, cujo objetivo era desviar recursos provenientes do Estado de Mato Grosso do Sul e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em benefício próprio.
“Uma das formas de desvio era a realização de frequentes saques em espécie de contas bancárias da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul – FFMS, em valores não superiores a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para não alertarem os órgãos de controle, que depois eram divididos entre os integrantes do esquema”, diz nota do MPE.
Entre as práticas identificadas, estavam saques frequentes de pequenas quantias para evitar a detecção pelos órgãos de controle e a devolução de parte dos valores pagos por serviços e produtos contratados pela Federação, favorecendo os membros do esquema.



