Após reunião com o presidente Lula, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, declarou neste domingo (25/8) que o Brasil está travando uma “guerra contra o fogo e a criminalidade” em resposta à onda de incêndios que assola o país. Durante o encontro, realizado em Brasília com funcionários do Ibama, foram discutidas medidas para conter os incêndios em São Paulo, Amazônia e Pantanal.
Marina revelou que a Polícia Federal (PF) já abriu 31 inquéritos, incluindo dois em São Paulo, para investigar as causas dos incêndios. “É uma verdadeira guerra contra o fogo e criminalidade. Tem uma situação atípica. Você começa a ter em uma semana, praticamente em dois dias, vários municípios queimando ao mesmo tempo. Isso não faz parte da nossa curva de experiência nesses anos de trabalho com fogo”, disse Marina.
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Marina também relembrou o infame “Dia do Fogo”, ocorrido em 10 de agosto de 2019, durante o governo Bolsonaro, quando produtores rurais da Região Norte supostamente coordenaram queimadas em larga escala na Amazônia. Segundo a ministra, há uma forte suspeita de que algo semelhante esteja ocorrendo agora.
Para enfrentar a crise, Lula criou uma sala de situação há mais de dois meses, destinada a monitorar a estiagem e os incêndios. O presidente também planeja uma reunião na Casa Civil com mais de 20 ministérios e governadores dos estados afetados para coordenar as ações de combate ao fogo.
Além do Ibama e da PF, a operação envolve a Casa Civil, o Ministério da Defesa, o Ministério da Justiça e outras entidades, que estão concentrando esforços para combater os incêndios e identificar os responsáveis.
Neste domingo, 21 cidades do interior de São Paulo ainda enfrentavam focos ativos de incêndio, afetando gravemente a população. No total, 46 municípios estão sendo monitorados pelo gabinete de crise do governo estadual, que declarou alerta máximo para queimadas. A fumaça dos incêndios chegou a Brasília, que enfrenta uma seca severa, sem chuvas há mais de 120 dias.
O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, destacou que a maioria dos incêndios é de origem criminosa, incluindo aqueles em São Paulo. Ele pediu à PF que investigue os focos, já que a simultaneidade dos incêndios levanta suspeitas de uma ação coordenada.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, confirmou que investigações estão em curso, focando em incêndios que ameaçam áreas de interesse da União, como aeroportos. No fim de semana, três homens foram presos sob suspeita de causar incêndios intencionais em São Paulo e Goiás. As investigações continuam em andamento.



