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Vítima de feminicídio, jornalista Vanessa Ricarte completaria 43 anos neste domingo

Vítima de feminicídio, a jornalista Vanessa Ricarte completaria 43 anos neste domingo (16). Natural de Três Lagoas, era formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e trabalhava como servidora do Ministério Público do Trabalho (MPT), além de ter atuado em órgãos como Emha, Sebrae, Semadesc e Imasul. Nas redes sociais, onde tinha mais de 4 mil seguidores, compartilhava reflexões sobre comunicação, música e estilo de vida.

Feminicídio e falha na proteção

Vanessa foi morta pelo ex-noivo, Caio Nascimento, na noite da última quarta-feira (12), em Campo Grande. O agressor possuía histórico de violência doméstica contra mãe, irmã e ex-namoradas. A jornalista havia registrado um boletim de ocorrência contra ele na terça-feira (11) e obteve medida protetiva na quarta-feira (12), mas não recebeu acompanhamento policial até sua residência, onde foi assassinada.

Em áudio enviado a uma amiga antes do crime, Vanessa relatou o atendimento frio e desumanizado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e a falta de informações sobre o histórico do agressor. “Eu que tenho toda instrução e escolaridade fui tratada dessa maneira. Imagina uma mulher vulnerável”, desabafou.

Repercussão e investigação

O caso gerou grande comoção e levou o Ministério das Mulheres a solicitar investigação sobre o atendimento prestado a Vanessa. Em nota, o órgão afirmou que a jornalista não deveria ter retornado à casa sem escolta policial. Representantes do Ministério viajaram a Campo Grande para discutir falhas no sistema de proteção a vítimas de violência.

Mudanças no sistema de proteção

Diante da repercussão, uma reunião foi realizada entre autoridades estaduais para discutir melhorias na aplicação de medidas protetivas. Segundo a desembargadora Jaceguara Dantas, do TJMS, serão estudadas soluções para agilizar as intimações de agressores. O secretário de Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, afirmou que o governo trabalha na capacitação de servidores para um atendimento mais humanizado às vítimas.

O feminicídio de Vanessa escancara falhas na proteção de mulheres em situação de violência e reacende a urgência de mudanças efetivas para evitar novas tragédias.