Um professor de Biologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), condenado por estupro em primeira instância e afastado desde março deste ano, foi promovido dentro da carreira acadêmica nesta semana. A progressão funcional, publicada no Diário Oficial da União em 11 de agosto, elevou o docente do nível Adjunto/4 para Associado/1, conforme os critérios técnicos previstos na estrutura de carreira docente da instituição.
As informações foram divulgadas pelo Campo Grande News.
Segundo a reportagem, o professor foi condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto por estupro de uma aluna durante uma festa universitária realizada em 2016. De acordo com os autos do processo, o crime teria ocorrido em uma república estudantil. A aluna foi encontrada desorientada, chorando e sem roupas após ter sido seguida até um quarto trancado pelo professor. No dia seguinte, ele teria pedido que ela tomasse a pílula do dia seguinte.
Condenação e afastamento
A sentença foi proferida pela Justiça Estadual em março de 2025. Além da pena privativa de liberdade, o professor foi condenado a pagar R$ 30 mil por danos morais à vítima. Após a condenação, a UFMS determinou o afastamento preventivo do docente e instaurou um processo administrativo disciplinar, que segue em andamento sob responsabilidade da Corregedoria da universidade.
Apesar da apuração interna ainda não ter sido concluída, a progressão funcional foi concedida. A portaria publicada não menciona casos individuais nem a situação judicial do professor, mas inclui servidores que cumpriram os requisitos formais para mudança de nível na carreira.
Repercussão
A publicação da promoção provocou reação entre estudantes da UFMS, que já haviam realizado protestos no início do ano, após a condenação. Em manifestações realizadas em frente à Reitoria, estudantes exibiram faixas com frases como: “UFMS, vê se escuta, quem estupra não educa” e “Estuprador eu não aceito, cadê a campanha Eu Respeito?”
Segundo o Campo Grande News, uma ex-aluna relatou que o professor já havia sido denunciado por assédio anteriormente, e declarou que a sentença “dá um gostinho de justiça, mas ainda há impunidade”. Outra estudante afirmou: “Era aquela coisa de que todo mundo sabia, mas ninguém falava. Hoje estamos aqui para levantar a nossa voz. Existem milhares de denúncias na ouvidoria.”
Posicionamento da universidade
A UFMS foi procurada pelo Campo Grande News para comentar a promoção, mas até a publicação da matéria original não havia se manifestado. Em nota anterior, divulgada após a condenação, a instituição informou apenas que o caso estava sendo apurado por meio de comissão disciplinar.
O episódio reacendeu o debate sobre os procedimentos internos de responsabilização adotados por universidades públicas e sobre a necessidade de revisão de critérios administrativos diante de condenações judiciais envolvendo servidores.
O espaço segue aberto para manifestação das partes.































