O suposto encontro do passaporte de Eliza Samudio em Portugal voltou a colocar em evidência um dos crimes mais emblemáticos do país, encerrado judicialmente há 15 anos. O documento teria sido encontrado por um brasileiro em uma residência coletiva no país europeu. A informação foi divulgada pelo portal Léo Dias.
Em entrevista ao O TEMPO, o irmão caçula de Eliza, Arlie Moura, de 27 anos, confirmou que o passaporte é da irmã, que hoje teria 40 anos, mas afirmou que o caso exige cautela. “Seria bom se realmente ela estivesse viva, mas temos que esperar para saber o que aconteceu e aguardar o veredito das autoridades. Pelos fatos apurados na época, acho difícil de ser verdade”, disse.
Segundo Arlie, a descoberta abalou emocionalmente a família e trouxe de volta lembranças do desaparecimento de Eliza, ocorrido em junho de 2010. Ele afirma que é necessário investigar se o documento foi perdido, roubado ou como acabou guardado no local onde foi encontrado. “O motivo de ele estar naquela casa e só agora vir a público precisa ser apurado”, declarou.
A convivência entre os irmãos sempre foi limitada. Com 14 anos de diferença, Arlie tinha apenas um ano quando morou com Eliza em Campo Grande (MS). Pouco depois, ela se mudou para Foz do Iguaçu (PR) para viver com o pai, enquanto ele permaneceu com a mãe. “A gente perdeu contato quando ela veio para São Paulo, por volta de 2008 ou 2009. Foi a última vez que lembro da gente se encontrar”, contou.
Apesar da repercussão, Arlie afirma não acreditar que Eliza esteja vivendo atualmente na Europa. Para ele, as provas reunidas no processo que condenou o goleiro Bruno são consistentes. Ainda assim, reforça que não é possível “bater o martelo” neste momento e que não é hora de “levantar teorias”.
O irmão também lembrou que Eliza esteve em Portugal por volta de 2007 e que, à época, teria tido um relacionamento com o jogador Cristiano Ronaldo. O passaporte encontrado possui apenas um carimbo de entrada daquele ano. Arlie destacou, no entanto, que sabia pouco sobre a vida pessoal da irmã, já que a mãe deles, Sônia Moura, evitava falar sobre Eliza.
Ele revelou ainda manter uma relação distante com a mãe, situação que, segundo ele, também existia entre Sônia e Eliza. Arlie afirma ser vítima de homofobia, soropositivofobia e intolerância religiosa por parte dela. A reportagem procurou Sônia Moura e aguarda posicionamento.



