A Santa Casa de Campo Grande atravessa uma crise financeira severa, com risco iminente de interromper totalmente os atendimentos devido à falta de insumos e próteses ortopédicas. A situação foi formalmente relatada às autoridades na manhã desta quarta-feira (26), quando a diretora clínica do hospital, Izabela Guimarães, o chefe do setor de ortopedia, João Antônio Pereira Mateus, e o advogado e diretor de Finanças Adjunto, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário.
De acordo com o documento, o hospital enfrenta um desabastecimento crítico. “O cenário é caótico, totalmente desabastecido com estoque zerado. A situação chegou ao limite hoje, mas há semanas a quantidade de insumos não chega ao hospital”, alertaram os profissionais.
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Segundo uma lista apresentada pelos médicos, 70 pacientes correm risco iminente de morte ou de sequelas graves caso as cirurgias não sejam realizadas por falta de materiais essenciais. O problema se agrava com a chegada constante de novos pacientes devido a acidentes e outras emergências médicas. “Fechou a porta da ortopedia hoje cedo”, lamentaram os responsáveis pelo setor.
A crise também foi atribuída à insuficiência dos repasses financeiros. Segundo os profissionais, a gestão plena da saúde é do município, mas os valores transferidos à Santa Casa são insuficientes para cobrir as despesas mensais. O déficit financeiro é de conhecimento público e já foi discutido em reuniões com o Ministério Público, o Conselho Regional de Medicina (CRM), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau), mas até o momento nenhuma solução efetiva foi implementada.
Diante do colapso, uma ação judicial foi movida para o bloqueio de R$ 46 milhões dos cofres do município, com o objetivo de suprir a falta de insumos e garantir o pagamento de prestadores de serviço. O juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 3ª Vara de Fazenda Pública, determinou o pagamento do montante em até 48 horas. O valor corresponde a repasses que deveriam ter sido efetuados durante a pandemia de Covid-19, em 2020.
As informações são do Diário Digital.



