O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, afirmou nesta segunda-feira (24) que não afastará as delegadas envolvidas no atendimento da jornalista Vanessa Ricarte. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, durante o lançamento da feira Dinâmica e Agropecuária (Dinapec).
“As delegadas vão permanecer no cargo até o fim do inquérito”, afirmou Riedel, descartando qualquer medida imediata contra as profissionais. Segundo ele, uma decisão precipitada poderia ser injusta. “Temos que ter apuração, definição e, aí sim, tomada de decisão”, pontuou.
O governador também ressaltou que os problemas na Casa da Mulher Brasileira (CMB) são mais amplos e exigem soluções estruturais. “Não adianta achar que amanhã a gente vai virar a chave e mudar 100% da Casa da Mulher Brasileira ou dos equipamentos… temos que mirar uma mudança estrutural dentro da casa”, disse.
Deficiências na Casa da Mulher Brasileira
Riedel destacou a necessidade de melhorias na recepção, acolhimento, estrutura física e tecnologia da instituição. Ele criticou a falta de um sistema informatizado, mencionando um laudo preenchido à mão como exemplo de atraso estrutural.
Recentemente, veio à tona um volume represado de aproximadamente seis mil boletins de ocorrência na Casa da Mulher Brasileira. Segundo o Correio do Estado, uma “força-tarefa” foi mobilizada para analisar e resolver esses casos. Em uma década de funcionamento, a instituição acumulou quase 80 mil boletins, e 19 delegados receberam um prazo de três meses para solucionar os casos parados.
O governo estadual e a Prefeitura de Campo Grande mantêm um diálogo para reformular a gestão da Casa da Mulher Brasileira. “Vamos conversar com quem quer que seja para poder mudar o que precisa ser mudado… os resultados vão aparecer com a implementação dessa reestruturação”, completou Riedel.
O caso Vanessa Ricarte
A jornalista Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-noivo Caio Nascimento, de 47 anos, no dia 12 de fevereiro deste ano. Antes do crime, ela procurou atendimento na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), localizada na Casa da Mulher Brasileira, e relatou em áudio enviado a um amigo que foi mal atendida.
A Associação dos Delegados de Polícia de Mato Grosso do Sul (ADEPOL/MS) emitiu nota defendendo as delegadas envolvidas e criticando a forma como o caso tem sido tratado após a divulgação do áudio de Vanessa.
Formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e servidora do Ministério Público do Trabalho (MPT), Vanessa foi assassinada quatro dias antes de completar 43 anos. Seu caso reforça a discussão sobre a eficiência no atendimento a vítimas de violência doméstica no Estado. O inquérito sobre o caso deve ser concluído ainda nesta semana.
*Correio do Estado.



