Mais de mil internos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, participam atualmente de atividades de trabalho e qualificação profissional. As ações incluem manutenção de escolas públicas, cultivo de hortaliças e produção de pães destinados a instituições e projetos sociais.
A unidade possui 1.606 pessoas privadas de liberdade. Desse total, 1.035 exercem alguma atividade laboral, o equivalente a aproximadamente 64% da população carcerária. Entre os trabalhadores, 752 recebem remuneração pelos serviços prestados.
As iniciativas são desenvolvidas sob supervisão do juiz corregedor Albino Coimbra Neto, com controle da Polícia Penal e apoio de instituições parceiras. Segundo o magistrado, o objetivo é utilizar o trabalho como instrumento de responsabilidade, capacitação e preparação para o retorno ao convívio social.
Projeto atende 40 escolas estaduais
Uma das principais frentes do programa é a manutenção de escolas estaduais de Campo Grande. Atualmente, 40 unidades de ensino recebem serviços realizados por trabalhadores do regime semiaberto da Gameleira.
Uma equipe formada por 12 internos, acompanhada por dois policiais penais, executa atividades como jardinagem, pintura e pequenos reparos elétricos e hidráulicos.
Na Escola Estadual José Mamede de Aquino, no Jardim Aeroporto, os trabalhadores participaram da pintura do prédio e realizam serviços periódicos de manutenção. A diretora Juliana Silva afirmou que somente com jardinagem a escola economiza cerca de R$ 3,5 mil por semestre.
“É um recurso que podemos direcionar de forma mais efetiva para os alunos. O trabalho realizado por eles é excelente e traz benefícios para a escola, para os apenados e para a sociedade”, declarou.
Horta Solidária produz alimentos para doação
Outra atividade desenvolvida na unidade é a Horta Solidária, que conta com orientação técnica do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul e do Sistema Famasul — Senar/MS.
Os internos participam de todas as etapas da produção, desde a preparação do solo e o plantio até a irrigação, a adubação e a colheita. Os alimentos são posteriormente encaminhados a escolas e entidades cadastradas.
Em julho, parte da produção foi entregue à Escola Estadual José Mamede de Aquino, que atende mais de 600 estudantes. A unidade recebeu verduras e legumes cultivados pelos trabalhadores da Gameleira.
De acordo com o coordenador da Assistência Técnica e Gerencial em Horticultura do Senar, Dorly Pavei, o projeto também oferece conhecimento prático aos participantes. Técnicos acompanham mensalmente a produção e orientam os internos sobre o manejo das culturas.
Produção de pães amplia alcance social
Além da horta e dos serviços de manutenção, a Gameleira possui uma padaria que produz pães destinados a ações solidárias. A iniciativa amplia o atendimento a instituições assistenciais e famílias em situação de vulnerabilidade.
Para o diretor do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, policial penal Ricardo Teixeira de Brito, as atividades são realizadas com planejamento, acompanhamento e segurança.
Policial penal há 25 anos, ele assumiu a direção da unidade em dezembro de 2024 e coordena os trabalhos internos e externos. Segundo o diretor, o apoio do Judiciário e das instituições parceiras é fundamental para o funcionamento dos projetos.
O trabalhador do regime semiaberto Júlio César da Silva Corrêa afirmou que participar do cultivo proporciona sentimento de responsabilidade e realização.
“A gente vê os frutos, as verduras e os legumes e sabe que plantou e colheu. É prazeroso e muito satisfatório”, relatou.
Segundo o juiz Albino Coimbra Neto, cada atividade realizada representa uma possibilidade de recomeço e uma forma de retorno à sociedade.
“Cada parede recuperada, cada alimento colhido e cada pão compartilhado representa uma nova possibilidade para quem trabalha, para quem recebe e para toda a sociedade”, afirmou.

































