Os motoristas do Consórcio Guaicurus, responsáveis pelo transporte coletivo de Campo Grande, anunciaram que irão paralisar os serviços na próxima segunda-feira (25), caso não seja apresentado um acordo sobre o reajuste salarial. A decisão foi tomada após meses de negociações sem avanços significativos.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano (STTCU), Demétrio Ferreira, a categoria já realizou quatro reuniões para tentar um acordo, mas nenhuma proposta foi apresentada até agora.
A data-base da categoria é outubro, e os trabalhadores reivindicam melhorias em seus benefícios. Atualmente, os 1.100 motoristas recebem:
Salário de R$ 2.749;
Ticket-alimentação de R$ 250;
Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) de 9%;
Plano médico e odontológico.
De acordo com Willian Alves, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande, já ocorreram quatro reuniões entre representantes do sindicato, a agência de regulação e o Consórcio Guaicurus, mas nenhuma proposta foi apresentada.
“O nosso contrato de trabalho é com a empresa, não tem nada a ver com o assunto deles com a prefeitura”. “Até agora não houve avanço, e a data base já venceu, por isso nós estamos marcando uma paralisação”, afirmou Alves.
Reivindicações dos motoristas
Os trabalhadores solicitam:
- Reajuste salarial de 8%;
- Vale-gás mensal (atualmente oferecido apenas em meses alternados);
- Aumento de R$ 100 no vale-alimentação, passando de R$ 250 para R$ 350;
- Reajuste de 2% na Participação nos Lucros, hoje fixada em 9% ao mês;
- Ampliação da cobertura de assistência à saúde.
Contexto do Consórcio Guaicurus
O Consórcio afirma que depende de sinalização da Prefeitura para propor qualquer reajuste. No entanto, a empresa enfrenta questões judiciais e financeiras. Uma perícia nas contas do consórcio, iniciada em outubro, avalia o equilíbrio econômico-financeiro do contrato e o pedido de reajuste tarifário para R$ 7,79. Atualmente, a tarifa pública é de R$ 4,75.
Lucros e controvérsias
Estudos anteriores apontaram que o consórcio obteve um lucro 78,5% acima do previsto nos sete primeiros anos de contrato. O levantamento indicou que esse excedente deveria ser usado para amortizar déficits, principalmente após a queda no número de passageiros nos últimos anos.
A previsão é que a nova perícia seja concluída em dezembro. Enquanto isso, motoristas e usuários do transporte coletivo aguardam respostas para evitar uma paralisação que poderá causar impactos significativos na mobilidade da capital.
*Com informações do Correio do Estado.



