A Polícia Federal avalia solicitar a inclusão do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no sistema de difusão prateada da Interpol. O mecanismo é utilizado para localizar e identificar dinheiro, imóveis, empresas e outros ativos possivelmente relacionados a crimes e mantidos em diferentes países.
Criada em janeiro de 2025 e ainda em fase piloto, a ferramenta permite que autoridades policiais compartilhem informações financeiras entre os países integrantes da Interpol. Diferentemente da difusão vermelha, que busca localizar pessoas procuradas pela Justiça, a modalidade prateada é direcionada ao rastreamento de patrimônio suspeito. A Interpol informa que o sistema não determina automaticamente o bloqueio ou o confisco dos bens, medidas que dependem da legislação e das autoridades judiciais de cada país.
A possibilidade de utilização do mecanismo surgiu na investigação sobre recursos destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Áudios divulgados pelo The Intercept Brasil indicam que Flávio solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, R$ 61 milhões para financiar o projeto. A PF apura o destino do dinheiro e trabalha com a possibilidade de que parte dos valores tenha sido enviada ao exterior.
Flávio Bolsonaro nega irregularidades. O senador afirma que os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção cinematográfica, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos. Ele também rejeitou a suspeita de que os recursos tenham sido destinados ao irmão, Eduardo Bolsonaro.
Até o momento, não existe pedido formal de difusão prateada contra o senador. A medida está sendo analisada como uma alternativa para ampliar a cooperação internacional caso os procedimentos tradicionais não sejam suficientes para localizar os valores investigados. Eventual rastreamento patrimonial não significa condenação nem transforma Flávio em foragido da Justiça.
































