Anotações manuscritas atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelam bastidores das articulações do partido em Mato Grosso do Sul e citam supostos pedidos milionários envolvendo lideranças locais. O conteúdo veio à tona nesta quarta-feira (25), após a Folha de S.Paulo ter acesso a um rascunho com o título “situação nos estados”, produzido durante reunião da cúpula nacional da sigla.
No trecho referente a Mato Grosso do Sul, as anotações indicam que o PL deve apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP), mesmo ele não sendo filiado ao partido. Para a disputa ao Senado, aparecem como possíveis nomes o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL).
Ao lado do nome de Contar, há a anotação: “recall / melhor nas pesquisas, 18% contra 2% dos outros”, sugerindo avaliação interna de maior lembrança do eleitorado ou desempenho superior em levantamentos de intenção de voto.
O deputado federal Marcos Pollon também é citado no documento. Ao lado do nome dele, consta a frase: “pediu 15 mi p/ não ser candidato”. Procurado pela reportagem, Pollon negou a informação, afirmou que a anotação “não faz o menor sentido” e classificou o conteúdo como tentativa de ataque à sua reputação. Segundo ele, jamais houve pedido de recursos para desistir de eventual candidatura.
O rascunho ainda menciona a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira. Ao lado do nome dela, aparece a anotação: “Mulher Rodolpho (pediu 5 mi)”. Rodolfo afirmou que não houve qualquer pedido financeiro e que a esposa conta com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro para eventual disputa ao Senado.
Após a repercussão, Flávio Bolsonaro declarou que, embora tenha feito as anotações, os registros refletiam apenas comentários ou impressões ouvidas durante a reunião e que o suposto pedido de recursos não ocorreu. Segundo ele, parte do conteúdo estaria sendo distorcida.
As anotações foram produzidas durante encontro da cúpula nacional do PL, que discutiu cenários estaduais, alianças e estratégias para as próximas eleições. A divulgação do material expôs divergências internas e ampliou a tensão nos bastidores do partido em Mato Grosso do Sul.
































