Everson Pereira de Melo, de 20 anos, conhecido como “Neguinho”, foi executado com quatro tiros na madrugada deste domingo (23), na Rua Manoel Macedo Falcão, no Parque do Lageado, em Campo Grande. Ele caminhava com a namorada para comprar bebida quando dois homens encapuzados se aproximaram por trás e dispararam. A arma falhou na primeira tentativa, mas os autores perseguiram o jovem e atiraram novamente. Ele caiu no asfalto e morreu antes da chegada do socorro.
Histórico criminal desde a infância
Segundo o Campo Grande News, Everson acumulava passagens desde os 13 anos, quando foi apreendido por tráfico. No ano seguinte, respondeu por receptação e roubo, chegando a cumprir medida socioeducativa. A partir da maioridade, o histórico se agravou.
Em junho de 2023, foi preso com 27 papelotes de pasta-base no próprio bairro e denunciado por tráfico. Em 2024, sobreviveu a um atentado no Dom Antônio Barbosa, quando foi atingido por quatro tiros após ser atacado por um motociclista. Mesmo ferido, conseguiu correr até um evento próximo, onde recebeu atendimento.
Ligação ao PCC e operações policiais
Menos de um mês após o atentado, Everson voltou a ser preso durante operação da Denar em Terenos. No local havia maconha, crack e uma balança de precisão. Policiais registraram no inquérito que ele e outros detidos admitiram envolvimento com uma organização criminosa ligada ao PCC. Na Justiça, todos negaram, e a denúncia por organização criminosa não prosperou por falta de elementos, mas Everson acabou denunciado por tráfico e associação para o tráfico, chegando a ser encaminhado ao Presídio Jair Ferreira de Carvalho.
A última prisão ocorreu em maio deste ano por ameaça e dano qualificado, após mostrar um simulacro de arma durante discussão com uma ex-namorada. Ele estava em liberdade provisória.
Execução durante a madrugada
De acordo com relato da namorada, os criminosos se aproximaram silenciosamente. Quando a arma falhou, Everson correu, mas foi alcançado e baleado. A perícia confirmou quatro ferimentos: dois na cabeça, um nas costas e um no ombro.
Moradores ouviram os disparos e chegaram a cobrir o corpo com um lençol. Uma vizinha de 64 anos disse ao Campo Grande News que conhecia o jovem desde criança e que a família “sempre foi trabalhadora”, mas que ele se envolveu com o crime ainda na infância.
Investigação
Equipes do GOI e do Batalhão de Choque fizeram buscas na região, mas ninguém foi preso. Sem câmeras de segurança na rua, a Polícia Civil trabalha com depoimentos e com o próprio histórico da vítima para definir se a execução tem relação com o atentado de 2024, com disputas recentes ou com envolvimento com o crime organizado.



