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MS adota novo modelo de atendimento em saúde: Entenda como vai funcionar

Na manhã desta sexta-feira (15), o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), apresentou à imprensa um novo modelo organizacional para a rede pública de saúde. A proposta, denominada Nova Arquitetura da Saúde, visa reorganizar os fluxos de atendimento e garantir que cada município receba o nível de cuidado adequado de acordo com sua capacidade instalada.

A estratégia estabelece uma rede hierarquizada e regionalizada, com foco em três níveis de complexidade de atendimento, distribuídos de acordo com o porte das cidades:

  1. Cidades Pequenas: A atenção primária será o centro das ações, com o fortalecimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS), vacinação, acompanhamento de doenças crônicas e consultas com clínicos gerais.

  2. Cidades Médias: A atenção secundária será ampliada, com a oferta de especialistas, exames de maior complexidade, além de atendimento de urgência e emergência.

  3. Cidades Grandes: O atendimento de alta complexidade será concentrado nessas regiões, com a realização de cirurgias especializadas, cuidados intensivos, transplantes e atendimento a casos de alta gravidade.

Coletiva Nova Arquitetura da Saúde de MS Foto Saul Schramm
Coletiva Nova Arquitetura da Saúde de MS Foto: Saul Schramm

Reforçando a Rede de Saúde com Investimentos

A implementação desse novo modelo tem como base a Resolução nº 598/CIB/SES, que busca corrigir distorções históricas na rede hospitalar. Muitos hospitais de referência têm sido sobrecarregados com casos que poderiam ser atendidos em unidades de menor complexidade, gerando altos custos e impacto na qualidade do atendimento. Com a reorganização, o objetivo é melhorar os fluxos, reduzir filas e garantir que os pacientes sejam atendidos no local certo e no tempo certo.

Maurício Simões Corrêa, secretário estadual de Saúde, afirmou que o novo modelo permitirá que hospitais de alta complexidade, como o Hospital Regional, atendam exclusivamente a casos graves, enquanto os atendimentos mais simples, como dores abdominais leves ou problemas menores, sejam direcionados às UBS ou Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Desde 2023, o estado tem investido mais de R$ 2,2 bilhões em obras, equipamentos, veículos, capacitação e incentivos aos municípios. Entre os avanços desse novo modelo, destacam-se:

  • O Hospital Regional de Três Lagoas, já em funcionamento;

  • O Hospital Regional de Dourados, com previsão de início das atividades para 2025;

  • O HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) em Campo Grande, com investimentos de quase R$ 1 bilhão e ampliação de leitos de 362 para 577.

Foto: Bruno Rezende.

Atenção aos Hospitais de Pequeno Porte (HPPs)

O modelo também contempla um novo financiamento para os Hospitais de Pequeno Porte (HPPs), adaptado à realidade de cada região, com o objetivo de aumentar a capacidade de atendimento e resolver casos mais simples de forma local, evitando deslocamentos desnecessários.

Marielle Alves Corrêa Esgalha, diretora-presidente da Fundação Serviços de Saúde de MS, destacou que essa reorganização fortalece a rede pública de saúde ao garantir que cada nível de atenção — desde a atenção primária até a alta complexidade — cumpra sua função corretamente. “Essa distribuição correta dos serviços fortalece o atendimento, evita sobrecarga e assegura que cada cidadão receba o cuidado adequado no lugar certo e no momento certo”, afirmou.

Mudanças no Pronto Atendimento Médico (PAM)

A partir de segunda-feira (18), o Pronto Atendimento Médico (PAM) do HRMS começará a funcionar com uma nova regulamentação: atenderá apenas pacientes encaminhados pela regulação. A medida visa otimizar o uso da unidade hospitalar de alta complexidade, que ficará exclusiva para atendimentos graves e especializados. A população deverá procurar as UPAs ou Centros de Referência em Saúde (CRS) para os primeiros atendimentos de urgência.

Apoio à Regulação e Transparência

A reorganização do fluxo de atendimentos no HRMS está alinhada com diversas normativas que reforçam o controle e a regulação dos serviços de saúde. A Portaria GM/MS nº 6.656/2025 exige o envio periódico de dados de regulação assistencial ao SUS, utilizando o Modelo de Informação da Regulação Assistencial (MIRA). Além disso, o Plano de Ação Regional da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (PAR RUE) assegura que os atendimentos hospitalares ocorram de forma ordenada, com a regulação e priorização baseadas na complexidade dos casos.

A reorganização tem como foco otimizar os recursos, melhorar a qualidade do atendimento e garantir que os pacientes recebam cuidados adequados de acordo com a gravidade de sua condição.

Com essas mudanças, o Governo de MS reforça o compromisso com a saúde pública e com a melhoria contínua do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o estado.