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Ministério da Justiça encaminha à PF pedido de investigação contra Flávio Bolsonaro

Lula Marques/Agência Brasil

Em um dos últimos atos à frente do Ministério da Justiça, o gabinete do ministro Ricardo Lewandowski encaminhou à Polícia Federal (PF) um pedido para investigar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposto crime contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A solicitação partiu da deputada Dandara Tonantzin (PT-MG) após publicação feita por Bolsonaro nas redes sociais, na qual ele associou Lula ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, recentemente preso pelos Estados Unidos.

O documento, assinado por Eliza Pimentel da Costa Simões, coordenadora-geral de Administração no gabinete do ministro da Justiça, foi endereçado ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para “apreciação”. No ofício, o ministério solicita que, caso seja necessário, os autos retornem ao gabinete do ministro e que a Secretaria Nacional de Assuntos Legislativos (SAL) seja informada sobre o andamento do caso para repasse à parlamentar autora da representação.

Denúncia e pedidos da deputada

Na representação enviada ao Ministério da Justiça, a deputada Dandara pede que a PF proceda à preservação de provas digitais e à apuração dos fatos relacionados ao suposto crime contra a honra cometido por Flávio Bolsonaro. Segundo a parlamentar, embora a democracia exija liberdade de expressão, esta deve estar acompanhada de “compromisso com a verdade, respeito às instituições e responsabilidade no debate público”, conforme publicação feita por ela em suas redes sociais.

A queixa tem como base uma postagem do senador feita no início deste mês em que ele afirma que a captura de Maduro pelos Estados Unidos levaria à delação de Lula e ao fim do chamado “Foro de São Paulo”, além de associar o grupo político que reúne partidos de esquerda a atividades criminosas.

Contexto político e reação

Flávio Bolsonaro, que também se apresenta como pré-candidato à Presidência da República em 2026, tem intensificado sua presença nas redes sociais com críticas ao governo e a aliados do presidente Lula. A ação da deputada Dandara ocorre em um momento de polarização política elevada, com representantes de diferentes espectros cobrando responsabilidade no uso de plataformas digitais por figuras públicas.

Até o momento, não há prazo público definido pela Polícia Federal para a conclusão da análise do pedido enviado pelo Ministério da Justiça. A corporação deve avaliar internamente se os elementos apresentados na representação são suficientes para a instauração de investigação formal.