AGORA
AGORA NO PORTAL

Últimas matérias

‘Milagre de Natal’: criança pede rim em árvore dos desejos e recebe transplante dias depois

Foto: Redes Sociais

Alliffer Matheus Bezerra, de 13 anos, é o exemplo vivo de um milagre. Diagnosticado ainda bebê com cistinose nefropática, uma doença rara que afeta os rins, o menino enfrentou uma longa jornada de desafios até receber, em novembro de 2024, um rim compatível que mudou sua vida.

O início da luta

Tudo começou em 2011, quando Alliffer, então com apenas seis meses, apresentou sinais graves de desidratação. Em Dourados, cidade onde mora com a mãe, Josy Gonçalves, o primeiro atendimento no posto de saúde não trouxe respostas.

Com o quadro piorando rapidamente, ele foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande. “Os médicos chegaram a desenganar ele. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida“, relembra Josy.

Após exames e consultas com especialistas, veio o diagnóstico de cistinose nefropática. Na época, não havia tratamento disponível em Campo Grande, e a família precisou buscar ajuda em São Paulo.

Anos de luta e resiliência

Por quase nove anos, Josy e Alliffer viajaram frequentemente para São Paulo em busca de cuidados. Em 2019, durante a pandemia, ele passou a ser atendido no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), onde recebeu o suporte necessário.

Com o avanço da doença, os rins de Alliffer pararam de funcionar, e ele iniciou sessões diárias de diálise peritoneal em casa. Após oito meses, seu corpo não suportou mais o procedimento, e ele precisou migrar para a hemodiálise, rotina que manteve por três anos.

O pedido e o milagre

Após entrar na fila de transplantes, Alliffer fez um pedido especial. Em um passeio ao Bioparque Pantanal, organizado pelo Humap no dia 30 de outubro de 2024, ele escreveu em uma Árvore dos Desejos: “Quero ganhar um rim novo“.

Oito dias depois, o tão esperado telefonema chegou. Um rim compatível foi encontrado em Belo Horizonte, Minas Gerais. A cirurgia ocorreu na mesma noite, na Santa Casa de Belo Horizonte, e foi um sucesso.

“Foi impossível não se emocionar naquele momento. Ele sempre foi muito determinado, muito ligado a Deus, e esse pedido mostrou mais uma vez o quanto ele nunca perdeu a esperança”, conta Josy.

Uma nova vida

Hoje, Alliffer está se recuperando e não precisa mais de diálise. “É uma nova vida para ele e para mim. Depois de tanto sofrimento, ele pode finalmente ser apenas uma criança”, celebra Josy.

A data do transplante será para sempre lembrada como um renascimento. “Foi o melhor presente de Natal e Ano Novo que poderíamos receber. Só temos a agradecer a Deus e a todas as pessoas que nos ajudaram. É como se um milagre tivesse acontecido depois de tanta luta”, conclui Josy, emocionada.