A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou uma queda significativa no início de 2025, conforme apontou a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta segunda-feira (27). Pela primeira vez, a desaprovação (49%) superou a aprovação (47%), marcando o pior momento da gestão até agora.
Entre os principais fatores que impulsionaram a insatisfação estão a crise econômica e desgastes gerados internamente, como a polêmica sobre o monitoramento do PIX e o aumento dos preços de alimentos. A desaprovação do governo subiu especialmente entre eleitores do Nordeste, a principal base eleitoral de Lula, onde o presidente perdeu 8 pontos de aprovação, e entre brasileiros com renda de até dois salários mínimos, que registraram queda de 7 pontos.
Crises internas afetam popularidade
A crise do monitoramento do PIX foi um dos maiores desgastes recentes. Segundo a pesquisa, 66% dos entrevistados acreditam que o governo “errou mais do que acertou” ao propor medidas de controle para a ferramenta de pagamento, enquanto apenas 19% avaliaram positivamente a tentativa.
Além disso, a alta no preço dos alimentos segue pressionando o governo. A tentativa de debater mudanças no sistema de validade dos alimentos gerou ainda mais insatisfação: 63% dos entrevistados se declararam contrários à ideia.
No geral, a percepção dos brasileiros sobre a economia é de piora ou estagnação:
- 39% acreditam que a situação piorou no último ano;
- 32% afirmam que segue igual;
- Apenas 25% perceberam melhora.
Perda de apoio entre a base eleitoral
Um dado preocupante para o governo é a perda de apoio entre eleitores de baixa renda e do Nordeste, regiões que tradicionalmente são mais alinhadas ao PT. No Nordeste, o presidente perdeu 8 pontos de aprovação, enquanto entre brasileiros que ganham até dois salários mínimos a queda foi de 7 pontos.
Além disso, 50% dos entrevistados acreditam que o país está na “direção errada”, contra 39% que veem o governo no caminho certo.
Comunicação sob pressão
Para tentar reverter o cenário, o governo promoveu uma troca no comando da Secretaria de Comunicação (Secom), com a substituição de Paulo Pimenta pelo publicitário Sidônio Palmeira, que foi marqueteiro da campanha presidencial de 2022. A expectativa é que a mudança traga uma estratégia mais eficiente para lidar com as sucessivas crises que têm minado a confiança da população.
Pesquisa Genial/Quaest
A pesquisa ouviu 4,5 mil pessoas entre os dias 23 e 26 de janeiro, com margem de erro de 1 ponto percentual e grau de confiança de 95%.



