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Lula diz que não tem pressa para investigar fraudes no INSS e culpa Bolsonaro

Durante coletiva no último dia de sua viagem à Rússia, o presidente Lula (PT) comentou o escândalo das fraudes no INSS envolvendo descontos irregulares em aposentadorias. Ele afirmou que a Polícia Federal, a CGU e a AGU estão investigando o caso e responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro (PL) pelo início do esquema.

“Eles desmontaram uma quadrilha que estava montada desde 2019. E vocês sabem quem governava o Brasil em 2019”, disse Lula, que afirmou preferir uma apuração discreta, “sem pirotecnia”.

O escândalo derrubou o ministro da Previdência, Carlos Lupi, e gerou pressão da oposição por uma CPI, apelidada de “CPI do roubo dos aposentados”, encabeçada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Apesar de culpar Bolsonaro, Lula não comentou que os repasses a entidades suspeitas aumentaram em seu governo: de R$ 706 milhões em 2022 para R$ 2,8 bilhões em 2024. Também ignorou que travas criadas na gestão anterior para coibir os descontos foram revogadas por um projeto da base aliada petista, assinado pelo atual ministro Wolney Queiroz.

Lula garantiu que os aposentados lesados serão ressarcidos, mas disse que isso depende da comprovação de fraude. “Quem assinou autorizando o desconto, não será reembolsado. Vamos atrás de quem realmente enganou os aposentados”, afirmou.

A AGU bloqueou bens de quatro associações, mas poupou o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), onde o vice-presidente é Frei Chico, irmão de Lula. O presidente defendeu que há entidades sérias envolvidas e que a apuração vai separar os culpados.