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Lei Rouanet: captação sobe quase 35% de janeiro a maio de 2025

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet captaram R$ 530 milhões entre janeiro e maio de 2025. O valor representa um aumento de quase 35% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo site Poder360 e confirmados pela Revista Oeste.

O crescimento ocorre em meio à retomada dos investimentos públicos e privados no setor, segundo o Ministério da Cultura. A tendência de alta na captação de recursos vem sendo observada desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Lei Rouanet permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do Imposto de Renda a projetos culturais previamente aprovados pelo governo federal. A legislação funciona como uma forma de renúncia fiscal, ou seja, o valor doado ao projeto é descontado do imposto devido ao Tesouro Nacional.

Recorde em 2024

Ao longo de 2024, o total captado por projetos culturais via Lei Rouanet somou R$ 3,1 bilhões, superando o recorde anterior de 2011, que era de R$ 2,8 bilhões (valores corrigidos pela inflação). Ainda assim, nem todo recurso autorizado pelo governo é efetivamente arrecadado. Em 2023, por exemplo, o teto de captação foi de R$ 18 bilhões, mas apenas R$ 2,5 bilhões foram captados.

Outro destaque foi o salto no número de projetos aprovados: crescimento de 362% em comparação com 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro.

Áreas com maior captação

Em 2024, a música foi o setor que mais arrecadou via Lei Rouanet, com R$ 795,8 milhões. Em seguida aparecem as artes cênicas (R$ 771,7 milhões), artes visuais (R$ 468,7 milhões) e museus e memória (R$ 409,2 milhões).

Confira os setores com maior captação (valores em R$ milhões):

Setor Captação
Música 795,8
Artes cênicas 771,7
Artes visuais 468,7
Museus e memória 409,2
Humanidades 246,2
Patrimônio cultural 245,8
Audiovisual 193,4
Total 3.131,2

Maiores patrocinadores

Entre as empresas que mais destinaram recursos a projetos culturais estão estatais e grandes corporações. A Petrobras lidera o ranking, com R$ 168,7 milhões, seguida pela Vale (R$ 162,4 milhões) e Nubank (R$ 115,2 milhões).

Veja as 10 maiores renúncias fiscais de 2024:

Empresa Valor (R$ mi)
Petrobras 168,7
Vale 162,4
Nubank 115,2
Shell Brasil 87,0
Fiat 33,1
Banco do Brasil 32,4
Redecard 29,0
Sabesp 26,9
NTS 26,7
B3 26,7

Principais beneficiários

O MASP (Museu de Arte de São Paulo) foi a instituição que mais captou recursos via Rouanet em 2024, com R$ 48,3 milhões. Em seguida aparecem a Fundação Osesp (R$ 42,2 milhões), o Museu do Amanhã, administrado pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão (R$ 38,1 milhões), e a Orquestra Sinfônica Brasileira (R$ 36,2 milhões).

Concentração no Sudeste

Apesar do discurso do governo federal sobre descentralização dos recursos, os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro seguem concentrando a maior parte da verba da Rouanet. Juntos, somaram quase R$ 1,9 bilhão em 2024 — quase 60% do total captado.

Captação por Estado (em R$ milhões):

Estado Valor
São Paulo 1.267,0
Rio de Janeiro 590,7
Minas Gerais 361,3
Rio Grande do Sul 221,1
Paraná 130,3

Mesmo assim, alguns projetos de fora do eixo Sudeste se destacaram, como o Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (PA), com R$ 21,9 milhões, e o Pró-Cultura, do Rio Grande do Sul, com R$ 20,7 milhões.

Críticas ao modelo

A Lei Rouanet é frequentemente alvo de críticas por sua concentração de recursos em grandes instituições e artistas já consagrados.

O cineasta Josias Teófilo, autor do documentário O Jardim das Aflições, defende uma reformulação. “A Rouanet deveria servir para quem está no começo da carreira. A cultura precisa de algum tipo de incentivo, mas com foco nos menos conhecidos”, afirmou.

A atriz Luiza Tomé compartilha da mesma visão. “O dinheiro está sempre nas mãos de meia dúzia de artistas. O Brasil precisa favorecer culturalmente os pequenos, os que têm menos. Aqueles que querem fazer teatro na favela e não têm como.”