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IPCA em 12 meses chega a 4,76%, puxado por alimentos e conta de luz; carne registra maior alta desde 2020

A inflação no Brasil acelerou em outubro, alcançando 0,56% após a alta de 0,44% registrada em setembro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira. O aumento foi impulsionado principalmente pelo encarecimento da conta de luz e dos alimentos, com destaque para o setor de carnes, que registrou um salto de 5,81% no mês — a maior elevação mensal desde 2020.

Com esse resultado, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses atingiu 4,76%, superando o teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A carne teve papel crucial nesse cenário, com cortes como acém, costela, contrafilé e alcatra apresentando aumentos expressivos devido a uma combinação de seca, confinamento do gado e aumento das exportações, que reduziram a oferta no mercado interno.

Câmbio e Perspectivas para os Próximos Meses

Analistas apontam que a alta do dólar — que já acumula valorização de cerca de 17% neste ano e, nesta sexta-feira, alcançou R$ 5,77 — é um dos fatores que impulsionam a inflação. O cenário cambial, juntamente com a previsão de safra recorde e possível escassez de alimentos, sugere que os preços dos alimentos devem permanecer elevados até 2025.

Conta de Luz em Alta, mas com Previsão de Alívio

Em outubro, o grupo de Habitação subiu 1,49%, puxado pela alta da energia elétrica, impactada pela bandeira vermelha patamar 2. Para novembro, no entanto, a Aneel anunciou bandeira amarela, o que reduzirá o adicional cobrado na conta. Em dezembro, a expectativa de bandeira verde pode aliviar ainda mais a pressão sobre o custo da energia.

Demanda de Fim de Ano e Pressão Inflacionária

Economistas alertam que a demanda de consumo nas festas de fim de ano pode aumentar a pressão sobre os preços. Somado ao câmbio elevado e aos reajustes no setor de alimentos, é provável que o IPCA feche o ano acima do teto da meta, apesar de uma possível queda de cerca de 3% na conta de luz em novembro.

Saúde e Outros Itens em Alta; Transportes em Queda

No setor de saúde, os planos de saúde apresentaram aumento devido a reajustes autorizados pela ANS. Em contrapartida, o grupo de Transportes foi o único a registrar queda (-0,38%), influenciado pela redução nas passagens aéreas e tarifas de transporte público.

Projeções e Necessidade de Políticas de Estabilização

Para 2025, o cenário de incertezas no câmbio e a pressão inflacionária podem exigir uma política monetária mais rígida. Analistas sugerem que um robusto pacote fiscal será essencial para estabilizar o dólar e conter a inflação no médio prazo.