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Impactos da pandemia na educação brasileira persistem, aponta estudo da Unicef

Chefe de Política Social da Unicef no Brasil, Liliana Chopitea. Foto: Agência Brasília/Divulgação - Agência Brasília/Divulgação

A pandemia de Covid-19 deixou marcas profundas na educação brasileira, conforme aponta o estudo “Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil – 2017 a 2023”, divulgado pela Unicef. O levantamento destaca que o país ainda não recuperou os índices de acesso e alfabetização alcançados antes da crise sanitária. Em 2023, cerca de 30% das crianças de 8 anos não estavam alfabetizadas, número significativamente maior que os 14% registrados em 2019.

A interrupção das aulas presenciais afetou particularmente crianças de famílias mais pobres e residentes em áreas rurais. Dados revelam que 45% das crianças de 7 a 8 anos dessas regiões ainda enfrentam dificuldades para ler e escrever. A desigualdade educacional também cresceu entre diferentes faixas de renda: enquanto o percentual de analfabetismo entre os 25% mais pobres chegou a 30%, entre os 20% mais ricos ficou em 5,9%.

Além das questões de alfabetização, o acesso à educação foi prejudicado. Em 2023, 619 mil crianças e adolescentes de até 17 anos estavam fora da escola, representando 1,2% do total. Embora inferior ao índice de 2021, que chegou a 2,3%, o número ainda não reflete a recuperação plena da educação brasileira ao nível pré-pandemia.

O estudo ressalta que políticas públicas, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, têm contribuído para avanços graduais. A taxa de analfabetismo entre crianças de 8 anos caiu de 29,9% em 2022 para 23,3% em 2024. Apesar disso, a Unicef reforça a necessidade de ações coordenadas em todos os níveis de governo para acelerar a recuperação do aprendizado perdido.

A pesquisa também aborda outras dimensões fundamentais para o bem-estar de crianças e adolescentes, como acesso à água, saneamento básico, proteção contra o trabalho infantil e segurança alimentar. A recuperação plena do sistema educacional brasileiro exige não apenas investimentos diretos na alfabetização, mas também melhorias estruturais que garantam condições adequadas para o desenvolvimento integral das novas gerações.