As ameaças de integrantes do governo dos Estados Unidos de impor sanções ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes já geram movimentações no governo brasileiro. Segundo apuração do Poder360, o Palácio do Planalto iniciou conversas com autoridades norte-americanas na tentativa de conter uma possível crise diplomática.
O impasse começou após declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que, durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores do Congresso norte-americano, afirmou que há “grandes possibilidades” de sanções contra Moraes por supostas violações de direitos humanos e perseguição política no Brasil.
Rubio mencionou a possível aplicação da chamada Lei Magnitsky, legislação que permite punir estrangeiros envolvidos em corrupção ou violação de direitos humanos. Caso a medida seja adotada, Moraes pode ter contas e bens bloqueados nos EUA, além de ter o visto cancelado e ser impedido de entrar no país.
O Ministério das Relações Exteriores, de acordo com reportagem de O Globo, estabeleceu um canal direto com o Supremo para manter os ministros informados. Ainda assim, a cúpula do Judiciário avalia o episódio como uma questão diplomática que segue em “normalidade”.
Nos bastidores, o Itamaraty teria considerado a fala de Rubio uma afronta à soberania brasileira e uma tentativa de interferência indevida no Poder Judiciário.
Enquanto isso, o governo Lula optou por uma abordagem mais pragmática e iniciou diálogos de alto nível com a administração de Joe Biden. A intenção é minimizar os impactos das declarações e preservar as relações bilaterais.
A polêmica ganhou novo fôlego após declarações do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Em entrevista à Revista Oeste, Eduardo disse acreditar que Moraes será “punido de forma exemplar” pelo governo Trump — antecipando uma eventual vitória republicana nas eleições norte-americanas. As falas vieram dias depois da abertura de um inquérito contra ele, determinada por Moraes a pedido da PGR, com base em uma representação do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
Segundo a Procuradoria, Eduardo Bolsonaro estaria tentando “intimidar” autoridades brasileiras com suas declarações e articulações nos Estados Unidos em defesa de sanções contra o ministro do STF.



