O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) ampliou as investigações da Operação Gutenberg e passou a apurar contratos firmados por seis prefeituras de Mato Grosso do Sul com a Editora Avante. Segundo relatório encaminhado à Justiça, os negócios recentes somam R$ 2.160.218.
A empresa é apontada pelo Ministério Público como integrante de um esquema investigado por supostos desvios de R$ 27,4 milhões das áreas de saúde e educação. De acordo com o Gaeco, novas diligências identificaram contratações realizadas entre 2025 e 2026, indicando que o grupo continuava atuando até pouco antes da deflagração da operação, em 7 de julho.
Os contratos localizados envolvem as prefeituras de Anaurilândia, com valor de R$ 232.530; Japorã, R$ 226.480; Fátima do Sul, R$ 244.020; Deodápolis, R$ 474.876; Caarapó, R$ 589.392; e Juti, R$ 392.920. Os valores se referem, principalmente, à aquisição de livros e materiais destinados às redes municipais de ensino.
O maior contrato identificado foi firmado por Caarapó, no valor de R$ 589.392. Na sequência aparecem Deodápolis, com R$ 474.876, e Juti, com R$ 392.920. Conforme o relatório, os dados reforçaram a necessidade de aprofundamento das apurações sobre a atuação da editora junto às administrações municipais.
O prefeito de Deodápolis, Jean da Saúde, afirmou que o contrato foi rescindido e que nenhum pagamento chegou a ser realizado. Segundo ele, a prefeitura não tinha conhecimento das investigações envolvendo a empresa no momento da contratação e encaminhou os documentos ao Ministério Público após tomar conhecimento do caso.
Em Juti, a administração municipal confirmou a aquisição, mas declarou que o procedimento seguiu a Lei Federal nº 14.133/2021 e todas as exigências administrativas. A prefeitura também negou que tenha ocorrido indicação da empresa e afirmou que a compra foi motivada pelo interesse público e pelas necessidades dos alunos.
O prefeito de Anaurilândia, Rafael Hamamoto, confirmou a contratação e informou que os livros já foram entregues. A Prefeitura de Caarapó declarou que não recebeu notificação do Ministério Público e sustentou que o processo foi formalizado com parecer jurídico e observância das regras de inexigibilidade de licitação.
A Operação Gutenberg investiga um grupo apontado como responsável por direcionar contratos públicos, movimentar recursos por empresas e pessoas interpostas e lavar valores obtidos por meio das contratações. Nesta semana, 16 investigados se tornaram réus, enquanto um empresário permanece foragido.
Segundo a acusação, integrantes do grupo utilizavam influência na área da saúde para pressionar municípios e favorecer a compra de livros fornecidos pela Editora Avante. A investigação também aponta que parte dos valores recebidos era sacada em espécie ou transferida para familiares, empresas parceiras e agentes públicos supostamente envolvidos.
As prefeituras e os investigados ainda poderão apresentar suas defesas no decorrer do processo. As apurações continuam para verificar a legalidade dos contratos, o destino dos recursos e a eventual participação de agentes públicos e empresários.
*As informações são do Midiamax.

































