O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, revelou nesta quinta-feira (22) ter sido alvo de ofensas e ameaças enviadas por meio da ouvidoria da Corte. Durante sessão plenária, Dino leu trechos do texto que, segundo ele, exemplificam o “espírito de ódio” que permeia parte da sociedade e atinge diretamente instituições e autoridades públicas.
A mensagem continha frases como: “Um cara como você tem que apanhar de murro por cima da cara, arrancar dente por dente da tua boca. É na porrada. Bastam cem homens aí em Brasília, invadem o STF e expulsam”. O ministro também relatou ter sido chamado de “canalha” e “rocambole do inferno”, expressão que chamou a atenção pelo tom violento e grotesco.
O episódio foi revelado enquanto os ministros julgavam a validade de cargos técnicos comissionados nos tribunais de contas de São Paulo e Goiás. Dino aproveitou o momento para fazer um alerta sobre o aumento das ameaças a autoridades e defendeu o fortalecimento da segurança institucional, sobretudo após o alarme de bomba que mobilizou o Ministério do Desenvolvimento Social na mesma manhã.
“As caixas de comentários das redes sociais ganham densidade quando penetram na mente humana e se transformam em força material. O regime de segurança não é o mesmo de dez anos atrás. Não sei se esse senhor ou outro resolve invadir aqui, como já aconteceu”, afirmou Dino, referindo-se à invasão do STF durante os atos de 8 de janeiro de 2023.
O ministro classificou a situação como parte de uma escalada de violência política alimentada por discursos de ódio. Ele ressaltou que episódios como esse não são isolados e representam um risco real à estabilidade democrática e ao funcionamento das instituições.
A Presidência do STF ainda não se manifestou oficialmente sobre eventuais providências em relação à ameaça.



