A ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, deixou o país rumo ao Brasil na madrugada desta quarta-feira (16), após receber asilo diplomático do governo brasileiro. Condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, Heredia partiu de Lima acompanhada de seu filho mais novo, Samir Humala, em uma aeronave da Força Aérea Brasileira.
Segundo informações da imprensa peruana, Heredia permaneceu na embaixada do Brasil na capital peruana até cerca das 2h da manhã (horário local), de onde seguiu para uma base militar anexa ao aeroporto. A viagem foi viabilizada após o governo do Peru conceder um salvo-conduto, conforme previsto na Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954.
Heredia, esposa do ex-presidente Ollanta Humala (2011–2016), foi considerada culpada de liderar campanhas eleitorais que teriam sido financiadas ilegalmente com recursos oriundos do governo venezuelano de Hugo Chávez e da construtora brasileira Odebrecht. A sentença, ainda sujeita a apelação, foi lida enquanto a ex-primeira-dama buscava abrigo na missão diplomática brasileira em Lima.
Logo após o veredicto, Humala foi detido e transferido para a penitenciária de Barbadillo, onde já estão presos os também ex-presidentes peruanos Alejandro Toledo e Pedro Castillo.
O governo brasileiro justificou a concessão de asilo com base nos artigos V e XII da Convenção de 1954, que permitem ao Estado asilante solicitar a saída do refugiado para outro território e obrigam o Estado territorial a fornecer as garantias e salvo-conduto necessários.
A chancelaria peruana confirmou a condenação de Heredia e a comunicação formal do Brasil sobre a decisão de acolhê-la, destacando que o salvo-conduto foi concedido em cumprimento à convenção internacional vigente.



