Um estudo da Mar Asset Management apontou que o crescimento da população evangélica no Brasil pode representar um obstáculo significativo para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Além disso, a pesquisa revelou que a popularidade do chefe do Executivo está abaixo do necessário para garantir um novo mandato. Eis a íntegra (PDF – 4MB)
Popularidade abaixo do necessário
A análise destacou que, para garantir a reeleição, Lula precisaria que pelo menos 41% dos eleitores o avaliassem como “ótimo” ou “bom” e que 87% desse grupo convertesse essa aprovação em votos. Contudo, os números atuais estão distantes desse patamar. No último levantamento Quaest/Genial, divulgado em 27 de janeiro, apenas 31% dos entrevistados avaliaram positivamente o governo petista.
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O estudo também comparou a conversão de aprovação em votos em eleições anteriores. Em 2006, 87% dos eleitores que consideravam o primeiro governo Lula positivo votaram nele. Da mesma forma, em 2022, 88% dos que avaliavam o governo Bolsonaro como “ótimo” ou “bom” o apoiaram nas urnas.
O impacto do crescimento evangélico
A pesquisa da Mar Asset Management projeta que, em 2026, os evangélicos representarão 35,8% da população brasileira, um aumento de 3,7 pontos percentuais em relação a 2022, quando esse grupo correspondia a 32,1%. Essa mudança demográfica pode impactar negativamente o PT, uma vez que o estudo identificou uma correlação entre a densidade de templos evangélicos e a diminuição do apoio ao partido.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram um crescimento expressivo no número de templos evangélicos no Brasil, com uma média de 5 mil novas igrejas abertas por ano. Em 2024, o país já contava com 140 mil templos. Essa expansão tem sido acompanhada por uma redução do apoio eleitoral ao PT em regiões com maior concentração de igrejas evangélicas.
Em 2022, Lula obteve 50,9% dos votos válidos. No entanto, segundo a projeção do estudo, caso a população evangélica já fosse do tamanho estimado para 2026, esse percentual cairia para 49,8%, o que teria sido suficiente para alterar o resultado da eleição.
Evangélicos e o voto conservador
O estudo também analisou a relação dos evangélicos com os presidentes eleitos. Até 2018, a percepção dos evangélicos sobre os governos não diferia muito da média geral. No entanto, com o forte apelo de Jair Bolsonaro (PL) a valores conservadores, esse cenário mudou. Durante seu mandato, Bolsonaro teve avaliações mais positivas entre os evangélicos do que entre os demais grupos da população.
Já no governo Lula, a situação se inverteu: a avaliação do petista entre os evangélicos está bem abaixo da média nacional, enquanto entre os não evangélicos sua popularidade é superior à média geral. Esse distanciamento entre Lula e o eleitorado evangélico se refletiu nas urnas em 2018 e 2022, quando apenas 31% dos eleitores desse grupo votaram nos candidatos do PT – Fernando Haddad e Lula, respectivamente.
Migração do eleitorado para a direita
Além do crescimento da influência evangélica, o estudo revelou que a última década foi marcada por uma migração expressiva do eleitorado para a direita. Em 2024, partidos desse espectro receberam 43% dos votos, enquanto em 2012 esse percentual era inferior a 20%. Por outro lado, a esquerda viu sua participação nas urnas despencar de 37,8% em 2004 para 20,5% em 2024. Os partidos de centro, por sua vez, mantiveram um patamar estável desde 2004.
Diante desses números, a análise da Mar Asset Management sugere que a reeleição de Lula em 2026 será um desafio considerável, exigindo não apenas a ampliação da aprovação popular, mas também uma estratégia para reconquistar parte do eleitorado evangélico e conter o avanço da direita no país.



