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Entenda como tumor raro fez a pele de jovem brasileira mudar de cor

Tumor Raro Faz Pele de Jovem Brasileira Mudar de Cor e Expõe Dificuldades no Acesso a Tratamento

A cearense Sabrina Gomes, de 24 anos, enfrenta uma batalha contra um timoma, tumor raro que se desenvolve na glândula timo, localizada no tórax. A doença, diagnosticada na adolescência, não apenas compromete sua saúde, mas também provocou uma mudança na cor de sua pele, decorrente de alterações hormonais causadas pelo câncer.

De Tumor a Síndrome de Cushing

O timoma de Sabrina estimula a produção excessiva do hormônio ACTH, que regula a produção de cortisol pelas glândulas adrenais. Esse descontrole resultou na Síndrome de Cushing, uma condição grave associada a complicações como pressão alta, distúrbios metabólicos, insuficiência renal e alterações na pele.

A fim de controlar o excesso de cortisol, Sabrina passou por uma cirurgia para remover as glândulas adrenais em 2022. Apesar de bem-sucedida, a operação gerou um efeito colateral curioso: o escurecimento da pele. Isso ocorre porque o excesso de ACTH, produzido pelo tumor, estimula a produção de melanina, pigmento que dá cor à pele.

Desafios no Tratamento

Após três quimioterapias, radioterapia e quatro cirurgias, o tumor continuou a crescer, comprimindo órgãos vitais como o esôfago e o coração. Devido ao risco elevado, a remoção cirúrgica foi descartada. Agora, a esperança de Sabrina está em um tratamento inovador com o radiofármaco lutécio, que utiliza radiação para destruir células cancerígenas.

Cada dose do lutécio custa cerca de R$ 32 mil, e Sabrina precisa de quatro, totalizando R$ 128 mil. Em março deste ano, a Justiça determinou que a Secretaria Estadual de Saúde do Ceará (Sesa) fornecesse o medicamento. Contudo, até o momento, o remédio não foi entregue.

Entraves no Sistema de Saúde

A Sesa afirmou que o lutécio não faz parte da lista de tratamentos do SUS, o que exige um processo administrativo específico para sua aquisição. O primeiro processo foi encerrado sem a adesão de unidades habilitadas, e um novo procedimento foi iniciado. Enquanto isso, Sabrina segue aguardando o início do tratamento que pode reduzir o tumor e melhorar sua qualidade de vida.

Uma Luta pela Sobrevivência

Sabrina continua lutando, não apenas contra a doença, mas também contra a burocracia e as limitações do sistema de saúde. Sua história expõe a complexidade de doenças raras no Brasil e a necessidade de avanços no acesso a tratamentos de alto custo para pacientes em situações críticas.