A goleada da Seleção Brasileira por 4 a 0 sobre o Peru, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, atraiu, não apenas os 60.139 torcedores entusiasmados, mas também figuras do Judiciário e do governo. Entre elas, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Os ministros assistiram à partida de um camarote reservado, acompanhados por membros do governo federal, como Paulo Pimenta, ministro da Comunicação Social, e Jorge Messias, Advogado-Geral da União.
A presença dessas personalidades no jogo ocorre poucos dias após a suspensão do julgamento que define o futuro de Ednaldo Rodrigues, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O julgamento, marcado por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, foi interrompido, adiando a decisão sobre a recondução de Ednaldo ao cargo. Gilmar Mendes, relator do caso, já havia votado pela manutenção de Ednaldo como presidente da CBF.
O julgamento envolve questões sobre a interferência do Poder Judiciário e do Ministério Público na autonomia das entidades esportivas, em especial no que tange a questões eleitorais. Mendes defendeu que a atuação do Ministério Público é legítima em casos onde normas internas de uma entidade esportiva violam a Constituição ou a legislação. No entanto, criticou a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro de afastar Ednaldo, afirmando que isso provocaria uma intervenção externa excessiva na gestão da CBF, o que foi condenado pela Fifa e pela Conmebol.
O pedido de vista de Dino indica que a decisão final ainda deve demorar. Enquanto isso, a presença dos ministros no jogo da Seleção reflete o clima descontraído em meio a debates complexos sobre a política esportiva e a atuação judicial no futebol brasileiro.



