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Desmistificando mitos sobre radiação durante mamografia e sua importância vital

A mamografia, um exame crucial para a detecção precoce do câncer de mama, enfrenta uma onda de desinformação, especialmente nas redes sociais. Mastologistas enfatizam que a radiação emitida durante o exame é extremamente baixa e não representa riscos significativos à saúde. Annamaria Massahud Rodrigues dos Santos, mastologista e secretária adjunta da Sociedade Brasileira de Mastologia, afirma que uma mulher precisaria realizar mais de 400 mamografias ao longo da vida para aumentar de forma significativa o risco de câncer de mama devido à radiação. Com duração de até 10 minutos, o exame é considerado desconfortável, mas a maioria das pacientes o descreve como suportável.

As redes sociais, especialmente plataformas como TikTok, têm disseminado vídeos alarmantes sobre os perigos da mamografia, com mais de 1,2 milhão de visualizações. No entanto, esses conteúdos falham em reconhecer os benefícios do exame, que é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce do câncer de mama, podendo identificar a doença em estágios iniciais e aumentar as taxas de cura para até 95%. A mamografia utiliza radiação ionizante em doses baixas, sendo a média de 0,21 mSv – equivalente a 25 dias de exposição à radiação ambiental natural. Comparativamente, a radiação de uma tomografia de tórax é de 5,8 mSv, mais que o dobro do que um indivíduo recebe em um ano.

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, com cerca de 73.610 novos casos anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Apesar do alto índice de incidência, a cobertura mamográfica no país permanece em cerca de 25%, muito abaixo da meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 70%. A presidente da Comissão de Mastologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Roseane Macedo, alerta que a recomendação de mamografia anual para mulheres de 40 a 49 anos é essencial, dado que 25% das pacientes com câncer de mama no Brasil estão nessa faixa etária.

As recomendações para a realização do exame variam: enquanto o Ministério da Saúde sugere mamografias a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos, algumas instituições especializadas recomendam exames anuais a partir dos 40 anos. Para mulheres e homens com histórico familiar ou sintomas, o acesso ao exame no sistema público de saúde é garantido a partir da puberdade. O autoexame também é incentivado, permitindo que as mulheres se familiarizem com a aparência e a textura de suas mamas, aumentando a probabilidade de detectar alterações.

Especialistas ressaltam que, embora a mamografia não seja um exame invasivo, a importância da compressão adequada durante o procedimento é crucial para garantir a qualidade das imagens. Maira Caleffi, presidente fundadora da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA), afirma que a mamografia é insubstituível pela ultrassonografia, pois pode detectar microcalcificações e nódulos pequenos que não seriam percebidos em um autoexame. Em um contexto de desinformação crescente, a educação sobre a mamografia e suas verdadeiras implicações é vital para salvar vidas e garantir que as mulheres façam escolhas informadas sobre sua saúde.