A fala da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, sobre a possibilidade de redução de penas para civis condenados pelos atos do 8 de Janeiro gerou incômodo entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista na última quinta-feira (10), Gleisi afirmou ser “plenamente defensável” discutir esse tema no Congresso Nacional. A declaração foi interpretada por integrantes da Corte como um gesto que poderia comprometer a relação entre os Poderes.
Ministros do STF classificaram a fala como inadequada e chegaram a buscar interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para expressar preocupação. Segundo relatos da imprensa, ao menos três magistrados consideraram a declaração um possível “agravante político”, diante da expectativa de manutenção das condenações. O governo federal, por meio de auxiliares, indicou que a ministra teria sido mal compreendida e que Lula não apoia a revisão das penas.
Paralelamente, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou ter reunido as 257 assinaturas necessárias para pautar o requerimento de urgência do projeto que propõe anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. Caso a urgência seja aprovada, o texto poderá ser votado diretamente no plenário da Câmara, sem passar por comissões temáticas. Conforme informações publicadas pelo portal Metrópoles, o debate deve continuar nos próximos dias com articulações entre o Legislativo, o Judiciário e o Executivo.



