Em decisão recente, a Justiça de Campo Grande rejeitou o argumento do Consórcio Guaicurus de que não seria responsável pelo transporte coletivo de passageiros. A alegação foi usada pela empresa para tentar se eximir de indenizar uma passageira ferida durante o desembarque de um ônibus. O juiz Tito Gabriel Cosato Barreiro confirmou a legitimidade do consórcio no processo, destacando que ele é o responsável pela prestação do serviço público.
A estratégia jurídica do Consórcio tem chamado atenção por ser contraditória. Enquanto se defende de ações judiciais alegando não operar diretamente o transporte, a entidade move processos contra a prefeitura reivindicando repasses adicionais, baseando-se justamente na redução de passageiros e nos custos do sistema. Essa duplicidade de argumentos levanta dúvidas sobre a postura da empresa frente às suas obrigações contratuais e à transparência com o poder público e a população.
Além do imbróglio judicial, a frota deteriorada do transporte coletivo segue como alvo de críticas. A prefeitura determinou recentemente a retirada de quase 100 ônibus sucateados, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito investiga falhas na manutenção da frota. Embora o Consórcio alegue dificuldades financeiras, perícia técnica apontou lucro de R$ 27,2 milhões no período de 2013 a 2024, com receita superior a R$ 1,8 bilhão, o que reforça o debate sobre a qualidade do serviço frente aos ganhos obtidos.
As informações são do portal Correio do Pantanal.



