O número de denúncias e sindicâncias contra médicos que prescrevem hormônios aumentou 120% em 2024, conforme Francisco Eduardo Cardoso Alves, representante do Conselho Federal de Medicina (CFM). Os dados foram apresentados durante um debate no Senado sobre os chamados “chips da beleza”.
Proibição e nova regulamentação
Em outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e o uso de implantes hormonais para fins médicos, estéticos e de performance. Após intensos debates, a decisão foi parcialmente revertida em novembro. A agência agora exige prescrição médica e uma explicação detalhada dos riscos aos pacientes antes do uso dos implantes.
Críticas ao uso indiscriminado
O uso exagerado e sem controle de hormônios tem sido criticado por entidades médicas, especialmente após relatos de 257 complicações de saúde e mortes relacionadas aos implantes. Em abril, o CFM já havia restringido o uso exclusivamente para fins médicos, alertando para o perigo do uso inadequado.
Para Clayton Luiz Macedo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a popularização dos hormônios como solução para problemas de saúde criou um mercado perigoso, com cursos e procedimentos realizados sem a devida especialização. “Isso se tornou um problema de saúde pública”, afirmou.
Responsabilização e desafios
A nova resolução da Anvisa é vista como um avanço importante para regulamentar o setor, mas ainda há desafios. A SBEM alertou sobre a falta de controle rigoroso sobre as substâncias usadas nos implantes, especialmente os manipulados em farmácias, e cobrou maior fiscalização.
A regulamentação traz um alerta: apesar das regras mais rígidas, a segurança total dos dispositivos implantáveis ainda não está garantida, exigindo atenção redobrada por parte dos médicos, farmácias de manipulação e órgãos reguladores.
Essas medidas visam conter os riscos associados ao uso indiscriminado dos “chips da beleza” e proteger pacientes de complicações desnecessárias ou fatais.



