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Chanceler do Irã vem ao Brasil para Cúpula do Brics em meio à crise no Oriente Médio

Foto: Reprodução | Elif Öztürk - Anadolu Agency

O chanceler iraniano Abbas Araghchi embarcou nesta sexta-feira (4) rumo ao Brasil para representar o Irã na Cúpula de Líderes do Brics, marcada para ocorrer no Rio de Janeiro. Ele deve chegar à capital fluminense na tarde deste sábado (5), segundo fontes da chancelaria iraniana.

A vinda de Araghchi ocorre em um momento delicado para o Irã, que enfrenta ofensivas aéreas de Israel e dos Estados Unidos. A expectativa do governo de Teerã é aproveitar o evento para pressionar por uma postura mais crítica dos países do Brics em relação aos ataques sofridos.

Apesar disso, o nome de Araghchi ainda não foi oficialmente confirmado pela organização brasileira como representante iraniano. Diplomatas brasileiros, no entanto, já admitem que o presidente recém-eleito Masoud Pezeshkian, inicialmente anunciado como chefe da comitiva, não virá mais ao país. A ausência foi considerada compreensível, diante da escalada do conflito no Oriente Médio.

Até dois dias atrás, uma lista oficial ainda apontava Pezeshkian como participante da cúpula. Apesar do cancelamento, o Irã manteve sua estrutura no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, onde dez integrantes do governo já organizam a participação. Foram reservados 70 quartos em três andares e até cozinheiros iranianos foram trazidos para o evento.

Nos bastidores, diplomatas revelam que o Irã enfrenta dificuldades técnicas para viabilizar deslocamentos aéreos. Os recentes bombardeios danificaram o sistema de radares da aviação civil, afetando o funcionamento do espaço aéreo e exigindo reparos urgentes. Em outras viagens, a chancelaria chegou a considerar até trajetos terrestres, como para o Azerbaijão, diante das limitações impostas pelas sanções internacionais e falta de peças e fornecedores.

Dentro do Brics, o Irã tenta emplacar uma reação mais firme contra Israel e EUA na Declaração de Líderes, mas enfrenta resistência. Países como Índia, Egito, Etiópia, Arábia Saudita e Emirados Árabes têm relações mais estreitas com Washington — e até mesmo com Tel Aviv — o que dificulta a construção de um posicionamento comum.