AGORA
AGORA NO PORTAL

Últimas matérias

Carros de luxo e salários turbinados: a nova fase dos Correios em crise

Fabiano Silva dos Santos, presidente dos Correios. Foto: Reprodução.

Os Correios abriram uma licitação para contratação de carros de luxo com motorista e combustível inclusos exclusivamente para uso da diretoria da estatal. A contratação prevê o fornecimento de quatro veículos por um período de 30 meses, com limite de 1.000 km mensais por carro, além de uma margem extra de 115 km variáveis por mês.

Apesar de envolver benefícios de alto padrão, o valor total do contrato está sendo mantido em sigilo. As informações são da coluna Radar, da revista Veja.

Alta no salário da cúpula, queda nas finanças

A nova licitação ocorre num contexto de grave crise financeira nos Correios. A empresa encerrou 2024 com um déficit de R$ 2,6 bilhões, quatro vezes maior que o prejuízo registrado no ano anterior (R$ 597 milhões). Trata-se do maior rombo desde 2016.

Paralelamente, a diretoria da estatal foi contemplada com reajustes salariais generosos. O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aumentou o próprio salário em 14% desde que assumiu o cargo. Seu vencimento mensal saltou de R$ 46,7 mil em março de 2023 para R$ 53,3 mil em abril de 2024.

Os demais diretores também foram beneficiados. Os salários passaram de R$ 40,6 mil para R$ 46,3 mil desde o início da gestão, com aumento nos auxílios e benefícios:

  • Auxílio-moradia: de R$ 4,3 mil para R$ 4,7 mil

  • Auxílio-alimentação: de R$ 699 para R$ 1.036

  • Previdência complementar: de R$ 7,6 mil para R$ 7,9 mil

Manobras contábeis e reversão de superávits

A atual administração dos Correios também foi acusada de ter realizado uma manobra contábil para maquiar os gastos da nova gestão, lançando despesas de 2023 como se fossem de 2022.

Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a estatal vinha registrando superávits sucessivos. Com a chegada da nova gestão, os números positivos deram lugar a déficits expressivos, acentuando a deterioração financeira da empresa.