A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, acusada de envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual pediu perdão pelos atos cometidos e expressou arrependimento. Ela havia escrevido “Perdeu, mané” na estátua do STF durante o ato. O depoimento foi realizado em novembro de 2023 e anexado ao processo que a ré responde na Corte.
Débora está presa e responde a uma ação penal pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração do patrimônio tombado e associação criminosa armada. O julgamento sobre sua condenação iniciou na semana passada, mas foi interrompido devido a um pedido de vista do ministro Luiz Fux.
Depoimento
Durante seu depoimento, Débora afirmou que chegou a Brasília no dia 7 de janeiro de 2023, um dia antes da manifestação, e permaneceu em frente ao quartel do Exército, onde manifestantes se concentravam. Ela reconheceu que participou da pichação da frase “Perdeu, mané” na estátua da Justiça, mas alegou que foi induzida a fazê-lo por um desconhecido, e que o ato não foi premeditado. “Não foi nada premeditado. Fui aos atos e não imaginava que seria tão conturbado desse jeito. Faltou um pouco de malícia da minha parte”, disse Débora.
Ela também explicou que não participou da depredação dos prédios do STF, Congresso ou Palácio do Planalto, e permaneceu apenas na Praça dos Três Poderes, tirando fotos. “Eu nunca fiz nada de ilícito na minha vida”, afirmou.
Pedido de perdão
Em seu depoimento, Débora pediu perdão ao “Estado Democrático de Direito” e afirmou que não participará mais de manifestações políticas. “Queria pedir perdão para o Estado Democrático de Direito. Estar aqui [na prisão] me fez refletir muita coisa. Eu entendi que o país depende de hierarquias, que precisam ser respeitadas”, afirmou.
A ré também mencionou que seus filhos estão recebendo acompanhamento psicológico devido à sua prisão, e destacou o impacto emocional que a separação tem causado à sua família.
Pena de 14 anos e a defesa
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, votou pela condenação de Débora Rodrigues a 14 anos de prisão. A pena foi calculada com base na soma das punições para os cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito (4 anos e 6 meses), tentativa de golpe de Estado (5 anos), associação criminosa armada (1 ano e 6 meses), dano qualificado (1 ano e 6 meses) e deterioração do patrimônio tombado (1 ano e 6 meses). Além disso, os condenados pelos atos de 8 de janeiro terão que pagar uma indenização de R$ 30 milhões.
A defesa de Débora, representada pelos advogados Hélio Júnior e Tanieli Telles, criticou a proposta de condenação, argumentando que a pena seria desproporcional. Os advogados defendem que não houve envolvimento de Débora com atos violentos ou com organização criminosa.
O julgamento continua com a expectativa de que o STF decida sobre a sentença de Débora Rodrigues nos próximos dias.



