Larissa Amorim conseguiu na Justiça uma ordem para que a União fornecesse o tratamento imediatamente, mas morreu 59 dias depois sem receber o remédio.
Larissa Amorim, de 29 anos, morreu enquanto aguardava um medicamento indicado para o tratamento de leucemia, mesmo após conseguir uma decisão judicial que obrigava a União a fornecer a medicação imediatamente. Segundo informações do Metrópoles, ela faleceu 59 dias depois da concessão da liminar, sem ter acesso ao imunoterápico.
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Mãe de dois filhos, Larissa enfrentava a doença desde os seis anos de idade. Após mais de duas décadas com o quadro controlado, a leucemia se agravou e evoluiu para uma crise blástica linfoide B. Como dois protocolos de quimioterapia não conseguiram conter o avanço da doença, os médicos recomendaram o uso de blinatumomabe e ponatinibe antes de um transplante de medula óssea.
Como os medicamentos não estavam disponíveis na rede pública, a família recorreu à Justiça. O primeiro pedido foi negado, mas, em segunda instância, a desembargadora Monica Nobre, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, determinou em 13 de março que a União fornecesse o tratamento de forma imediata. Enquanto aguardava o cumprimento da decisão, Larissa precisou repetir os ciclos de quimioterapia.
A paciente, que já estava com a saúde debilitada, contraiu uma infecção e morreu no dia 14 de maio. Ao Metrópoles, o marido de Larissa, Murillo Barbosa, afirmou que ela ficou emocionada e esperançosa quando soube da decisão judicial. “Para quem tem câncer, o tempo faz parte do tratamento. Não pode esperar”, declarou.
O Ministério da Saúde informou que adotou as providências necessárias para cumprir a liminar, mas alegou que o medicamento não estava disponível imediatamente. A pasta afirmou ainda que solicitou autorização judicial para realizar um depósito, mas não teria recebido resposta. Também sustentou que o blinatumomabe foi incorporado ao SUS apenas para indicações específicas de Leucemia Linfoblástica Aguda que não abrangeriam o quadro da paciente.
A morte de Larissa e outros casos semelhantes levaram a Associação Brasileira de Câncer do Sangue a apresentar uma representação ao Ministério Público Federal e à Procuradoria-Geral da República. A entidade pede a apuração de possíveis falhas estruturais e recorrentes que estariam impedindo pacientes oncológicos de acessar tratamentos já reconhecidos pelo Estado como eficazes e necessários.



