O governo federal já tinha conhecimento de que Ricardo Lewandowski prestava consultoria jurídica ao Banco Master, afirmou a ministra Gleisi Hoffmann. Segundo ela, a relação não foi considerada ilegal nem teve relação com a saída do ex-ministro do cargo.
“Nós sabíamos que Lewandowski prestava consultoria ao Master, não há nenhuma ilegalidade nisso. Em nenhum momento isso foi motivo da saída dele”, disse Gleisi durante café da manhã com jornalistas.
A ministra afirmou ainda que o governo não será complacente com o caso envolvendo o banco. “A aproximação do governo com o Banco Master é da fiscalização rigorosa. O caso foi desmantelado no nosso governo, pela Polícia Federal, por determinação do presidente Lula, com atuação técnica.”
Sobre a possibilidade de CPI ou CPMI, Gleisi disse que não cabe ao governo opinar sobre a criação de comissões parlamentares de inquérito. Também afirmou que “governos envolvidos de forma irregular com o caso Master são da oposição”, citando fundos de pensão do DF e do Rio de Janeiro, além de relações políticas com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Após a declaração, a assessoria da ministra afirmou que Gleisi não se referia especificamente ao Banco Master, mas a consultorias jurídicas de forma geral.
Lewandowski confirma consultoria
O escritório de Ricardo Lewandowski confirmou que prestou consultoria jurídica ao Banco Master. Segundo a defesa, o contrato começou após a saída dele do STF, em abril de 2023.
Em nota, Lewandowski afirmou que, ao assumir o Ministério da Justiça em janeiro de 2024, deixou o escritório, suspendeu o registro na OAB e interrompeu todas as atividades profissionais.
Contrato com família amplia suspeitas
Investigações apontam que o escritório da família de Lewandowski manteve contrato com o Banco Master entre 2023 e 2025, com pagamentos mensais de R$ 250 mil. O escritório envolve a esposa e o filho do ex-ministro.
As apurações também indicam contratos do banco com outros escritórios ligados a autoridades, incluindo o da família do ministro Alexandre de Moraes. Embora as relações possam ser legais, o caso ampliou suspeitas sobre a influência do banqueiro Daniel Vorcaro em diferentes esferas do poder.
Diante da repercussão, a OAB-SP informou que discute a criação de um código de ética específico para magistrados.



