A cantora Ana Castela publicou um vídeo nas redes sociais demonstrando indignação com a morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, em Florianópolis, Santa Catarina. Segundo informações, o animal foi espancado por adolescentes e, devido à extrema violência sofrida, acabou sendo submetido à eutanásia.
Abalada com o caso, a artista cobrou justiça e se solidarizou não apenas com Orelha, mas também com todos os animais que já sofreram algum tipo de violência. A manifestação teve grande repercussão e reforçou o debate sobre maus-tratos e a responsabilização dos envolvidos.
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Na manhã desta segunda-feira (26), uma operação da Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em endereços de investigados por maus-tratos e coação no processo que apura a morte do cão comunitário. As ações ocorreram na Praia Brava, no Norte da Ilha.
De acordo com a Polícia Civil, ao menos quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de envolvimento nas agressões que resultaram na morte do animal, que tinha cerca de 10 anos. As buscas aconteceram nas residências dos adolescentes e também de seus responsáveis legais. Mandados também foram cumpridos em locais ligados a adultos investigados por possível coação durante o andamento do processo. Os nomes não foram divulgados.
Durante a operação, aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por análise. Pessoas ligadas ao caso estão sendo ouvidas nesta segunda-feira.
O que aconteceu
Segundo relatos de moradores, Orelha estava desaparecido havia alguns dias. Durante uma caminhada, uma das pessoas que cuidavam do animal o encontrou caído e agonizando. O cachorro foi recolhido e levado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade dos ferimentos, não houve alternativa além da eutanásia.
Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região Silvio Gasperin se emocionou ao relatar o caso.
“A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?”, afirmou.
Quem era Orelha
A Praia Brava possui três casinhas destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região, e Orelha era um deles. O animal convivia diariamente com moradores e frequentadores do bairro.
“Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”, contou o aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais.
Além de viver solto pela região, Orelha também interagia com outros cães do bairro. A empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal, relatou que costumava passear pela região e encontrar os demais animais.
“Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui, ou vem com frequência, sabe de quem estamos falando: os ‘pretinhos’”, disse.
Em nota divulgada na sexta-feira (17), a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o papel afetivo do animal.
“Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem.”
Mobilização e protestos
Desde a morte de Orelha, moradores, protetores independentes, ONGs e institutos ligados à causa animal têm se mobilizado pedindo justiça. No sábado (17), foi realizada a primeira manifestação pública na Praia Brava. Já no último sábado (24), um novo protesto reuniu dezenas de pessoas.
Vestindo camisetas personalizadas e segurando cartazes com frases como “Justiça por Orelha”, os participantes caminharam acompanhados de seus próprios cães e fizeram uma oração em homenagem ao animal.
A mobilização também ganhou força nas redes sociais, com a hashtag #JustiçaPorOrelha. No domingo (25), as atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram vídeos lamentando a morte do cachorro e cobrando providências das autoridades.



