Na madrugada de terça-feira (28), uma megaoperação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar nos Complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, resultou na apreensão de 93 fuzis — parte de um arsenal que a Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE) da Polícia Civil estima em R$ 12,8 milhões, considerando também munições, carregadores e miras. Além das armas longas, as equipes recolheram pistolas, explosivos, grande quantidade de munição e drogas.
Conforme reportagem do Metrópoles, as ação, batizada pelas autoridades como Operação Contenção, teve como alvo núcleos do Comando Vermelho (CV) e enfrentou resistência armada intensa, segundo o relatório preliminar das corporações. Em comunicado, o governo estadual classificou o episódio como uma das maiores apreensões de armamento de guerra já feitas em um único dia no estado, embora haja variação nos relatos sobre o número de presos e eventuais mortos — informações que as autoridades seguem atualizando.
Fuzis, “Frankenstein” e origem suspeita
Parte do material descrito como de procedência estrangeira convive com um contingente formado por fuzis montados no Brasil a partir de peças importadas — fenômeno popularmente chamado de “fuzis Frankenstein”. A perícia técnica será responsável por identificar quais peças são originais, quais são falsificadas e quais foram montadas localmente, o que deve ajudar a traçar rotas de entrada e fornecedores.
As investigações agora se concentram em mapear a origem dos armamentos e as rotas de contrabando. Autoridades informaram que o material apreendido passará por exames balísticos e de identificação para checar eventuais vínculos internacionais e redes de fornecimento.
Armamento apreendido (lista preliminar)
Entre os modelos relatados pela polícia estão:
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AR-15 — calibre .223 Rem / 5,56×45 mm (ou variantes); carregadores de 20–30 tiros; muitas unidades podem ser variantes ou montadas localmente.
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AK-47 — calibre 7,62×39 mm; carregadores curvos de 30 tiros; arma de origem soviética, comum no tráfico internacional.
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FAL — calibre 7,62×51 mm NATO; fuzil de combate amplamente usado e objeto frequente de desvios.
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G3 — calibre 7,62×51 mm NATO; fuzil de batalha de projeto alemão.
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AR-10 — calibre 7,62×51 mm NATO (versões variadas); plataforma AR de maior calibre.
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Benelli MR1 — carabina semiautomática (geralmente 5,56×45 mm); menos comum entre fuzis de guerra clássicos.
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Mauser — referência a modelos históricos; pode remeter a rifles de precisão ou peças de origem europeia.
A lista é preliminar e será refinada após os exames periciais.
Reaproveitamento e destino das armas
De acordo com as autoridades, armas em bom estado poderão ser incorporadas temporariamente ou definitivamente às forças de segurança, conforme critérios técnicos e legais. Todo o material passará por laudos periciais que atestarão a funcionalidade, a possível adulteração e a origem de cada peça.
Impacto na facção e próximos passos
O prejuízo estimado ao Comando Vermelho — R$ 12,8 milhões — leva em conta não apenas o valor de mercado dos fuzis, mas também de acessórios e munições. Especialistas ouvidos por autoridades apontam que a apreensão representa um golpe logístico e financeiro significativo para a organização, embora a continuidade do tráfico e a capacidade de reposição dependam das rotas identificadas após a investigação.
As diligências seguem para identificar compradores, intermediários e pontos de entrada do armamento no país. A polícia também informou que vai checar possíveis conexões internacionais e eventuais desvios de material militar.



